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domingo, 7 de dezembro de 2014

*A maldição dos africanos




Os africanos não são descendentes de Canaã, nem estão sob a maldição de Noé
Ao longo dos séculos algumas pessoas tentaram provar que a raça negra está destinada a ser subserviente por causa das palavras de Noé sobre o seu filho Cam que foi o pai dos povos africanos. Observemos o próprio texto da Escritura, e então eu darei três razões de porque isso não determina como os povos da África devem ser vistos e tratados. Lembre-se que Noé tinha três filhos: Sem, Cam e Jafé.

Gênesis 9.21–25:
Bebendo do vinho, embriagou-se [Noé] e se pôs nu dentro de sua tenda. Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos. Então, Sem e Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os próprios ombros de ambos e, andando de costas, rostos desviados, cobriram a nudez do pai, sem que a vissem. Despertando Noé do seu vinho, soube o que lhe fizera o filho mais moço. Então disse: “Maldito seja [ou “será”] Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos”.
Agora observe três coisas:

A Maldição de Noé Cai sobre Canaã
Primeiro, Noé toma essa ocasião do pecado de seu filho Cam e a usa para fazer uma predição sobre a prosperidade do filho mais novo de Cam, Canaã. Basicamente a predição é que os cananitas eventualmente seriam subjugados pelos descendentes de Sem e Jafé.

Ora, há muitas perguntas a se fazer aqui. Mas eu só tenho tempo para apontar algumas poucas relevantes ao nosso ponto principal. Cam tinha quatro filhos de acordo com Gênesis 10.6. “Os filhos de [eram] Cam: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã”. Ora, em termos gerais, Cuxe é provavelmente o ancestral dos povos da Etiópia; Mizraim é o ancestral dos egípcios; e Pute é o ancestral dos povos do norte da África, os líbios. Mas Canaã é o único dos quatro filhos que não é ancestral de povos africanos. Gênesis 10.15–18 cita os descendentes de Canaã: “Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete, e aos jebuseus, aos amorreus, aos girgaseus, aos heveus, aos arqueus, aos sineus, aos arvadeus, aos zemareus e aos hamateus”. Todos esses povos eram habitantes de Canaã e proximidades, não da África. E a predição de Noé se tornou verdade quando as nações cananitas foram expulsas pelos israelitas por causa de sua perversidade (Deuteronômio 9.4–5). Então a maldição não recai sobre os povos africanos, mas sobre os cananitas.

A Maldição de Noé Não Trata de Indivíduos
Segundo, a nação predita de Noé não dita como o povo de Deus deve tratar cananitas individuais. Por exemplo, cinco capítulos depois, em Gênesis 14.18, Abraão, descendente de Sete, encontra um cananita nativo chamado Melquisedeque, que era homem justo e “sacerdote do Deus Altíssimo”, e que abençoou Abraão. Abraão deu a ele o dízimo dos seus espólios. Então nem mesmo o fato de que Deus ordena julgamento sobre nações perversas dita a nós como devemos tratar indivíduos nas mesmas nações.

Deus Planeja Redenção para Todas as Nações
Terceiro, em Gênesis 12, Deus coloca em ação um grande plano de rendenção para todas as nações, para resgatá-las dessa e de qualquer outra maldição de pecado e julgamento. Ele chama a Abrão para todas as nações e faz uma aliança com ele e promete: Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”. “Todas as famílias da terra” inclui as famílias cananitas.

Então o que vemos é que, com Abraão, Deus está colocando em ação um plano de redenção que derruba cada maldição sobre qualquer pessoa que recebe a bênção de Abraão, a saber, o perdão e a aceitação de Deus que vem através de Jesus Cristo, a semente de Abraão (Gálatas 3.13–14).


Deus criou todos os grupos étnicos a partir de um ancestral humano.
Atos 17.26:
[Deus] de um só fez toda a raça humana [pan ethnos = todo grupo étnico] para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação.
Observe duas coisas nesse texto.
Primeiro, observe que Deus é o CRIADOR dos grupos étnicos. “Deus fez de um só toda a raça humana”. Grupos étnicos não simplesmente aconteceram a partir de mudanças genéticas aleatórias. Eles aconteceram pelo desígnio e propósito de Deus. O texto diz claramente: “DEUS criou cada ethnos”.

Segundo, observe que Deus criou todos os grupos étnicos a partir de um ancestral humano. Paulo diz: “Ele fez DE UM SÓ cada ethnos”. Isso tem um murro especial quando você pondera o porquê de ele escolher dizer especificamente isso a esses atenienses no aerópago. Os atenienses apreciavam se vangloriar de que eles eram os autochthones, que quer dizer que eles haviam nascido em seu próprio solo nativo e não eram imigrantes de algum outro lugar ou grupo étnico. (Veja Lenski e Bruce, ad. loc.) Paulo escolhe confrontar esse orgulho étnico logo de cara. Deus criou todos os grupos étnicos — atenienses e bárbaros — e ele os criou a partir de um ancestral comum. Então vocês, atenienses, são feitos do mesmo tecido que os desprezados bárbaros e citas.

Todo membro de todo grupo étnico é feito à imagem de Deus.
Gênesis 1.27:
Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Quando você coloca esse ensino de Gênesis 1 (que Deus criou o primeiro homem à sua imagem) junto com o ensino de Atos 17.26 (que Deus criou todos os grupos étnicos a partir desse primeiro ancestral), o que surge é que todos os membros de todos os grupos étnicos são criados à imagem de Deus.

Não importa qual a cor da pele, ou as feições do rosto, ou a textura do cabelo, ou outros traços genéticos; todo ser humano em todo grupo étnico possui uma alma imortal à imagem de Deus: uma mente com poderes de raciocínio singulares semelhantes aos de Deus, um coração com capacidade para julgamentos morais e afeições espirituais, e um potencial para relacionamento com Deus que separa completamente cada pessoa dos animais que Deus criou. Todo ser humano, seja qual for a cor, forma, idade, gênero, inteligência, saúde ou classe social, é criado à imagem de Deus.

É propósito e ordem de Deus que façamos discípulos para Jesus Cristo de cada grupo étnico do mundo, sem distinção.
Mateus 28.18–20:
Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.
Fazei discípulos de “todas as nações” — isto é, de todo grupo étnico. É a mesma expressão de Atos 17.26, onde diz que Deus de um só criou “toda a raça humana” — todo grupo étnico. Assim como todos os grupos étnicos são criados à imagem de Deus, o objetivo de Deus é redimir pessoas de todo grupo étnico. O fato de sermos feitos à imagem de Deus não significa que somos salvos. Todos somos distorcidos pelo pecado. As singulares maneiras em que fomos criados para refletir a glória e o valor de Deus foram amplamente arruinadas. Então Deus enviou o seu Filho, Jesus, ao mundo para morrer por nós para que possamos crer nele e ser perdoados, limpos e restaurados, para que nos tornássemos troféus da sua graça.

A Bíblia proíbe casamento entre um crente e um incrédulo, mas não entre membros de diferentes grupos étnicos.
1 Coríntios 7.39:
A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor.
“Somente no Senhor”. A Bíblia nos direciona claramente a não casar com incrédulos. Se já estamos casados com um incrédulo, devemos permanecer casados (1 Coríntios 7.12–13; 1 Pedro 3.1–6). Mas se estamos livres para casar, devemos casar apenas com aquele que compartilha da nossa lealdade a Jesus.

Esse era o ponto principal das advertências do Antigo quanto a casar com aqueles que pertenciam a nações pagãs. Por exemplo, Deuteronômio 7.3–4:
Nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações; não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para teus filhos; pois elas fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós outros.

A questão não é mistura de cores, ou mistura de costumes, ou identidade do clã. A questão é: haverá uma lealdade comum ao Deus verdadeiro nesse casamento, ou haverá afeições divididas? A proibição na Palavra de Deus não é contra casamento inter-racial, mas contra casamento entre crente e incrédulo. Isso é exatamente o que esperaríamos se a grande base da nossa identidade não são as nossas diferenças étnicas, mas a nossa comum humanidade à imagem de Deus e a nossa nova humanidade à imagem de Cristo.

*Texto de John Piper. Um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes dos dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens milhões de pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu ministério pastoral na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, MN, nos EUA desde 1980.


Preto | Negro  - uso prático e preconceito 

Achille Mbembe, filósofo e historiador camaronês, propõe, em Crítica da Razão Negra, que o conceito de escravo tende a se fundir com o de negro até estes se tornarem uma coisa só. Para desfazer isso, ele defende a “reinvenção da comunidade”, e tal conceito encontra respaldo no processo de ressignificação e politização da ideia de raça, proposto pelo Movimento Negro Unificado (MNU) no final da década de 70.

Um artigo publicado em 1967 por Lerone Bennet Jr, editor sênior da revista Ebony, traz pontos importantes ao debate, como, por exemplo, a discussão que tomou conta dos Estados Unidos à época. Bennet escreve que “há um grupo que sustenta que a palavra negro é um epíteto impreciso que perpetua a mentalidade de mestre-escravo (…) outro grupo, constituído por defensores do Black Power, adotou um novo vocabulário em que a palavra preto é reservada para ‘irmãos pretos e irmãs que estão emancipando a si mesmo’”.

Muitos pensa na origem da palavra “negro”, dizendo que vem de nigro – do grego, inimigo – e, por isso, o certo seria falar “preto”. Na verdade, há discordância sobre a origem, posto que alguns historiadores acreditam que o termo tenha vindo do latim nigrum ou ainda necro, referente à morte (tese esta menos defendida). Mas o ponto é que o discurso de muitos caminha lado a lado ao do músico ganês Nabby Clifford, cujo vídeo onde aborda o tema se torno viral. Em termos gerais, Clifford diz que “negro” é uma palavra negativa, e o certo é usar “preto”.

No continente africano, é diferente. O conceito de raça sequer existia lá: quem o levou foi o branco colonizador para justificar a escravização, justificar a inferiorização de um determinado povo. Ou seja, na África, antes da chegada dos europeus, não existia nem negro, nem preto. Não havia necessidade, pois são grupos étnicos que já têm identidades próprias: ashantes, yorubás, egípcios… Não precisam do conceito de raça para se compreenderem enquanto povos diferentes.

A escravização e as diásporas nos deixaram vários símbolos, e nenhum deles é vazio. “Criado-mudo” não existe em vão. A destruição do racismo é complexa por inúmeros fatores, e um deles é a língua, pois temos um dicionário ainda racista. Apesar de concordar com a visão de rompimento com o léxico proposto pela escravidão, não ouso discordar dos mais antigos, como o pessoal do MNU, que ressignificou a palavra “negro”. Por isso, repito: não há um consenso. A língua é viva, mas a História também tem que ser.




terça-feira, 29 de abril de 2014

Eu não sou macaco



Me perdoe o Daniel Alves. Sua intenção foi até "esportista" e "bem-humorada", mas se declarar como macaco para fazer com que outras pessoas não te chamem assim não me parece muito inteligente. Mesmo com o argumento de que essa autoafirmação é uma crítica irônica e sarcástica ao racismo, não consigo encontrar uma lógica que justifique alguma eficiência nessa campanha. Qual a reflexão produtiva em relação ao racismo que a afirmação “somos todos macacos” traz? Qual a sua utilidade na luta contra o preconceito? Se a afirmação de que “somos todos humanos” já se mostrava inútil no combate ao racismo, imagina a afirmação de que somos macacos.

A mesma falta de lógica ocorreria se um dia um grupo de mulheres pertencentes ao movimento feminista lançasse uma campanha intitulada “somos todas mal comidas”, já que este é um insulto utilizado pelos machistas para ofender as mulheres que lutam nessa causa. Será que os machistas ao verem essa campanha se sentiriam incomodados ou adorariam ver mulheres se identificando com o próprio insulto baixo que eles utilizam?


É desanimador ver que passamos por 400 anos de luta para chegarmos em 2014 com pessoas achando bonito se identificar com um insulto criado para ofender nossos ancestrais de origem africana. A intenção da maioria das pessoas que participam dessa campanha é boa, mas creio que faltou uma reflexão mínima na hora de escolher o nome da mesma. Com o perdão da expressão que vou usar, mas Macaco é o caramba!!! Eu não sou macaco droga nenhuma! Não me levem a mal, mas, para certos tipos de pessoas, somente expressões fortes impactam. Então, eis elas escritas.





Faço uso de algumas informações da internet para escrever esse texto, vale a pena se informar um pouco.

Macaco é macaco. (Macaco é um termo de origem africana (provavelmente do banto: makako) utilizado como designação comum a todas as espécies de símios ou primatas antropóides, aplicada no Brasil, restritivamente, aos cebídeos (ou macacos do Novo Mundo) em geral.


No sentido estrito, macaco refere-se às espécies de primatas pertencentes ao género Macaca) .... Ou seja, nenhum de nós seres humanos somos macacos.


Somos é maldosos e de inteligência primitiva, muito mais do que eu desejaria...! Em Inglês macaco é usado como gíria para feio, mal formado ou pelotão....como era usado também no cangaço, para se referir aos "pés de pato" contra Capitão Virgulino. Existem mitos gregos que se referem aos Cercopes, transformados em macacos por Zeus, vale conhecer, história boa, cultura. Tem até uma espécime chamada popularmente de satanás, um macaquinho todo preto....hã... Curioso!!!


Até Gretchen, e olha que não sou muito chegado no que essa mulher fala, deu uma lição de moral. Quero ver o Neymar, Luciano Huck, Angélica e "somos todos macacos" e cia usarem uma hastag dessa.








Somos todos vítimas da ignorância, preconceito, maldade e liberdade de atacar o próximo, o semelhante (ou não também, pobre dos macacos). Somos vítimas da espécie homo sapiem sapiens, a pior de todas elas!!!

Por isso digo e repito EU NÃO SOU MACACO e não compartilho da onda de "glamurização em mídia virtual" deste termo perjorativo relacionado a qualquer ser humano, mas sou a favor de câmeras nos estádios e punições mais rígidas para o intolerável ato de discriminação étnica, filosófica, sexual ou religiosa. Shalom (Paz) pra todos. 









quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

*Cristão é incendiado e agredido




Um evangelista ainda se recupera de queimaduras após seis jovens muçulmanos o agredirem severamente e lhe atearem fogo no mês passado em uma aldeia perto da cidade da província de Punjab, segundo relatos de uma cristã ao Compass Direct.

Cristãos locais disseram ter encontrado o reverendo Wilson Agostinho, de 26 anos, inconsciente, com queimaduras na cabeça, mãos e braços em 22 de novembro perto da parada de ônibus nos arredores de Sargodha. Ele distribuia panfletos e anunciava Cristo porta-a-porta no dia anterior entre as famílias cristãs dali.

O cristão Rustam Masih disse ao Compass Direct que Agostinho ia porta a porta quando os filhos de um poderoso proprietário de terras viu um dos panfletos. Mais tarde os agressores foram identificados: Muhammad Usman Ghani, Taha Muhammad Khan, Mehmood Talha, Warriach Nisar, Cheema Zareen e Jamshaid Ali Ansari.

Aamir Masih, um cristão mais velho da mesma vila, disse que os jovens muçulmanos erroneamente consideravam versos do folheto que descreve a ressurreição de Jesus como algo depreciativo a Maomé, o profeta do islã.

“Depois de me incendiarem, eles começaram a me batendo de novo”, disse Agostinho e continuou, “pelas agressões o fogo cessou e então eles me arrastaram para os arbustos próximos dali.”

A polícia registrou um primeiro relatório de informação (FIR n º 1135/10) pelo ataque conjunto e tentativa de homicídio, mas se recusaram a nomear os suspeitos que a vítima queria identificar, disse Agostinho.

Um representante da polícia disse ao Compass Direct que os agentes se recusaram a registrar o caso contra os homens porque estava escuro e o cristão poderiam ter se confundido, proém o pai da viítima disse que a polícia foi subornada.

*Fonte: Site Portas Abertas


sábado, 20 de novembro de 2010

Manifesto de uma consciência negra



É interessante como a vida pode ser irônica, em pleno dia da consciência negra recebo uma notícia de desrespeito e preconceito.

Um dos meus discente, que vou denominar de "S", residente do bairro Nova Priamavera, foi detido por policiais militares por volta das 09:40 da manhã de hoje, por causa de uma suspeita, no mínimo, estranha.

Os policiais viram uma movimentação estranha em uma incurssão pelo bairro, quando se aproximaram os suspeitos fugiram, meu discente, "S", estava longe da movimentação suspeita, mas por ter vindo da mesma direção foi abordado. Detalhe: "S" é menor de idade e estava acompanhado de seu irmão de 10 anos, quando iam fazer a limpeza ("capina") de um terrono com outros de seus colegas.

"S"foi abordado, e já sentenciado por um dos policiais, como detentor de um pacote contendo vários sacoles de drogas encontrados no local, que repito, "S" estava passando bem distante.

"S", tentanto, provar que aquele pacote não lhe pertencia, falou aos policiais que, se quisessem, poderiam olhar a sua casa. Por mais uma irônia do destino, foi encontrada uma muda de maconha no terreno baldio de sua casa. Mesmo sendo menor, e não oferecendo resistência de nenhuma espécie, "S" foi algemado e conduzido a 93a Delegacia de Volta Redonda. Seu irmão, de 10 anos, presenciou a toda a ação.

O que me deixa indignado, é que os outros dois policiais militares que acompanhavam o policial que deu voz de prisão a "S"(que, alias, também era negro), conheciam ele e sua boa indóle, vizinhos que viram a ação também falaram sobre a boa conduta do rapaz, alegando, inclusive, que o terreno baldio de sua casa era utilizado por maus elentos do bairro para consumo de drogas e outras ações. Os pais de "S", inúmeras vezes reeprenderam essas ações, mas esses maus elementos, sempre continuavam.




A vizinhança ainda tentou convencer o policial falando sobre a conduta de "S" no bairro, ele é monitor de um projeto cultural desde 2009 e auxilia a muitos jovens e adolescentes, dando conselhos e passando a sua experiência de vida. Isso de nada adiantou, e "S", menor de idade, foi levado algemado para a delegacia. Foi quando recebi a ligação e fui informado do fato. Imediatamente fui para a delegacia.

Na delegacia não havia um representante do conselho tutelar da cidade (que foi notificado, mas "não havia ninguém disponivel") nem um pisicologo ou assistente social, que são profissionais que devem estar presente quando um menor esta sendo acusado de algum crime.

Ainda bem que "S" é um rapaz responsável, e tem amigos, imediatamente após sua prisão, irregular, diga-se de passagem, vizinhos entraram em contato com representates do Grupo Amigos na Cultura, do qual "S" faz parte desde 2007, primeiro como agente cultural (discente) e, atualmente, como monitor (uma espécie de professor auxiliar).

Os pais de "S" foram notificados, seu pai, inclusive, teve que sair do trabalho para ir a delegacia, foi quando cheguei.



Logo, outros representantes do Grupo Amigos na Cultura chegaram e acionaram sua assistência jurídica. "S" ficou na delagacia de 09:50 às 14:05, e repito, se não fosse por seus familiares e representantes do Grupo Amigos na Cultura, sem qualquer assistência do Estado ou Municipio.

Quando, finalmente, "S" foi ouvido foi compravada a sua inocência, e no registro da ocorrência policial foi prescrito apenas como testemunha de uma apreensão de drogas. Todo o contragimento público, a quebra dos direitos do menor de idade ficaram sem uma compensação, mas, ao menos, o rapaz foi solto, e não condenado a uma prisão injusta.

Você pode pensar que eu estou furioso com os policiais militares, certo? Pois esta errado.

Respeito a esses profissionais, pois sei que vivem em condições precárias de trabalho, com material obsolento, tendo, inclusive, que se virar com uma única farda dada pela corporação, para o ano todo, se o policial militar quiser mais de uma farda tem que desembolsar de seus recursos particulares para tanto.

O Policial Militar do Estado do Rio de Janeiro arrisca a sua vida diariamente em defesa do cidadão fluminense, recebendo menos de R$ 30,00 (trinta reais) por dia, metade do que recebe uma diarista para limpar uma residência de classe média.

Fazer seviços extras, os famosos "bicos", não são um luxo e sim a única opção honesta desse profissionais complementarem sua renda e viverem dignamente. Eles mal conseguem oferecer segurança a si própios e suas famílias, e são perseguidos por fazerem os "bicos".

A principal funçao da PM-RJ é o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública. A PM-RJ possui 14 Unidades especiais (Uma dela é o Batalhão de Operações Policiais Especiais- BOPE). Mas muitas vezes não são capacitados ao trato público, não por culpa dos profissionais, uma vez que são treinanados como força militar auxiliar, mas por culpa do próprio estado, que não capacita esse profissionais a lidarem com as particularidades sociais, nem dão o apoio necessário a eles.


Sim, eu acredito que existem bons policiais dentro da corporação, que não se voltam para a corrupção, e só fazem o uso da força quando necessário. Muitas vezes "demonizamos" a esses profissionais, e afirmamos que todos são corruptos. Como já disse, discordo de tal afirmação.

Acredito que dentro de cada farda existe um ser humano, como qualquer um, que tem sonhos, paixões e medos. Muitas vezes olhamos somente do ponto de vista civil para os praças, mas temos, também, de nos colocar no lugar deles. Alguma vez já paramos para pensar que esse profissional e sua família correm um risco de vida constante, e que o estado não lhes oferece nenhuma forma de proteção, salvo quando uma desgraça acontece? Muitas vezes os pais e a própria sociedade (Estado e famílias) não cuidam dos seus e colocam parte, quando não toda, a responsabilidade nas autotidades policiais. Muitas vezes usadas como verdadeiros "bichos-papões".



Enquanto esperava o depoimento da ocorrência do caso do "S", li algo interressante no quadro de avisos da 93a DP de Volta Redonda. Transcrevo o texto abaixo:

Sim, senhor cidadão, eu sou um policial

(*) Mitchell Brown

Muito bem, senhor cidadão, eu creio que o senhor já me rotulou.

Acredito que me enquadro perfeitamente na categoria na qual o senhor me colocou. Eu sou estereotipado, padronizado, marcado, corporativista e, sempre, bitolado. Infelizmente, a recíproca é verdadeira. Eu não vou, porém, rotulá-lo.

Mas, desde que nascem, seus filhos ouvem que eu sou o bicho-papão, e depois o senhor fica chocado quando eles se identificam com meu inimigo tradicional, o criminoso. O senhor me acusa de contemporizar com os criminosos, até que eu apanhe um de seus filhos em alguma falta.

O senhor é capaz de gastar uma hora para almoçar e interrompe seu serviço para tomar café diversas vezes no dia, mas me considera um vagabundo se paro para tomar uma só xícara. O senhor se orgulha de seu refinamento, mas nem pisca quando interrompe minhas refeições com seus problemas.

O senhor fica bravo quando alguém o fecha no trânsito, mas quando o flagro fazendo a mesma coisa, eu o estou perseguindo. O senhor, que conhece todo o código de trânsito, quase nunca porta os documentos obrigatórios.

O senhor acha que é um abuso se me vê dirigindo em alta velocidade para atender uma ocorrência, mas sobe pelas paredes se eu demoro dez segundos para atender um chamado seu.

O senhor acha que é parte do meu trabalho se alguém me fere, mas diz que é truculência policial se devolvo uma agressão.




O senhor nem cogita em dizer a seu dentista como arrancar um dente ou a seu médico como extirpar seu apêndice, mas está sempre me ensinando como aplicar a lei.

O senhor quer que eu o livre dos que metem o nariz na sua vida, mas não quer que ninguém saiba disso.

O senhor brada que é preciso fazer alguma coisa para combater o crime, mas fica furioso se é envolvido no processo.

O senhor não vê utilidade na minha profissão, mas certamente ela se tornará valiosa se eu trocar um pneu furado do carro de sua esposa, ou conduzir seu menino no banco de trás do carro patrulha, ou talvez salve a vida de seu filho, ou trabalhe muitas horas além de meu turno procurando sua filha que desapareceu.

Assim, senhor cidadão, o senhor pode se indignar, proferir impropérios e se enfurecer pela maneira pela qual executo meu trabalho, dizendo toda a sorte de palavrões possível, mas nunca se esqueça de que a sua propriedade, a sua família e até a sua vida dependem de mim e de meus colegas.

Sim, senhor cidadão, eu sou um policial.

(*) Mitchell Brown, autor deste texto, patrulheiro da Polícia Estadual de Virgínia, EUA, morreu em serviço dois meses depois de o escrever.


Esse texto me sensibilizou, e fez refletir...

De maneira alguma concordo ou tento aqui justificar os erros cometidos no caso do "S". Mas entendo melhor por que eles ocorreram.

Volto a pensar nesse dia como um dia que devemos celebrar a vida. Nunca concordei com o fato do dia da Consciência Negra ser celebrado no dia da morte de Zumbi dos Palmares, adimiro Zumbi e sua história e sei que o exemplo que ele deixou foi de luta e perseverança. Então por que lembra-lo no dia sua morte? Digo não! Devemos celebrar seu exemplo de vida, não só o dele, mas como o de Mariana Criola, Ganga Zumba, João Candido, Machado de Assis e tantos outros, só para citar os negros brasileiros.


A luta contra preconceito continua, e não só o de cor, mas também o religioso, sexista, político, geográfico e, principalmente, o financeiro. No caso desses dois últimos, considero os mais acintosos no Brasil. No caso de "S", afirmo (apesar de saber que as autoridades policias não concordam com minha opinião, direito delas) que ele foi abordado por ser negro, de uma condição finaceira não elevada e, principalmente, por ser morador do bairro Nova Primavera. O determinismo geográfico nesse bairro, que é o de menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de Volta Redonda-RJ, é muito grande. Para muitos, morar lá é sinônimo de "bandido".


Pois digo algo, trabalho no Nova Primavera desde 2007, nunca fui assaltado lá, apesar de sempre andar com materiais muito caros como: computadores, projetores, DVD e sons, para a execução de meu trabalho. Nunca me agrediram verbal ou fisicamente, apesar de, no meu ramo de trabalho, sempre confrotar os jovens e adolescentes com normas de ética, cidadadania, empreendedorismo e traquejo social, que muitas vezes conflituam com os ensinamentos caseiros desse jovens. E ficaria listando aqui mil laudas das qualidades dessa comunidade.



Como todo bairro, o Nova Primavera tem suas qualidades e virtudes. Por isso não adimito a imagem depreciativa dado a ele. Hoje é dia de reflexão, de respondermos a pergunta: Aonde você guarda o seu preconceito?



Só para responder, o preconceito não pode ser guardado, mas sim excutado, sumariamente, do cerne de nosso âmago. Eu continuo acreditando em uma sociedade justa e igualitária.

Uma sociedade sem preconceitos, independente da forma.


Eu acredito em meu país, espero ver um Brasil que não precise de uma secretaria de igualdade social, pois seremos julgados pelas nossa ações, e não pela cor da nossa pele.

Um país que não precise de cotas para negros e outras "minorias" ( reflitam bem sobre essas àspas), pois as universidades serão para todos, indistintamente. Pois a educação, desde sua base, será de qualidade, não precisando que o trabalhor pague duas vezes sua universidade, quando faz sua graduação em uma instituição privada, enquanto uma pequena parcela elitizada da população ocupam todas as vagas das universidades públicas.



Quero acreditar que estou lutando, e trabalhando, por um Brasil onde casos como o de "S" não se repitam.


20 DE NOVEMBRO – DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA Consciência! Perante Deus somos todos irmãos e perante a lei somos todos iguais.

Respeito
Zumbi e sua história, mas não quero celebrar a sua morte. Quero
celebrar a vida e a liberdade.

Zumbi, e tantos outros, deixaram um
legado de luta, vida e liberdade.

Zubi morreu, mas Cristo ViVE!!!



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