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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Novembro negro? Não! Novembro da consciência negra




Hoje é o último dia do mês de novembro mês da Consciência Negra. Lembre-se... existe uma história do Povo Negro sem o Brasil. Mas não existe uma história do Brasil sem o Povo Negro...




Não existe "novembro negro" ou não deveria existir. O 20 de novembro não é "o dia do negro" mas da "consciência negra". Dia de representatividade de uma identidade, não de uma cor.







 Não somos melhores do que ninguém, mas distintos de todos. Continuamos na luta pela igualdade, sabendo que cada um tem sua identidade. Somos iguais em nossa diversidade. Como já disse Martin Luther King: "Eu escolho o amor, o ódio é um fardo muito pesado para se carregar".

domingo, 7 de dezembro de 2014

*A maldição dos africanos




Os africanos não são descendentes de Canaã, nem estão sob a maldição de Noé
Ao longo dos séculos algumas pessoas tentaram provar que a raça negra está destinada a ser subserviente por causa das palavras de Noé sobre o seu filho Cam que foi o pai dos povos africanos. Observemos o próprio texto da Escritura, e então eu darei três razões de porque isso não determina como os povos da África devem ser vistos e tratados. Lembre-se que Noé tinha três filhos: Sem, Cam e Jafé.

Gênesis 9.21–25:
Bebendo do vinho, embriagou-se [Noé] e se pôs nu dentro de sua tenda. Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos. Então, Sem e Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os próprios ombros de ambos e, andando de costas, rostos desviados, cobriram a nudez do pai, sem que a vissem. Despertando Noé do seu vinho, soube o que lhe fizera o filho mais moço. Então disse: “Maldito seja [ou “será”] Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos”.
Agora observe três coisas:

A Maldição de Noé Cai sobre Canaã
Primeiro, Noé toma essa ocasião do pecado de seu filho Cam e a usa para fazer uma predição sobre a prosperidade do filho mais novo de Cam, Canaã. Basicamente a predição é que os cananitas eventualmente seriam subjugados pelos descendentes de Sem e Jafé.

Ora, há muitas perguntas a se fazer aqui. Mas eu só tenho tempo para apontar algumas poucas relevantes ao nosso ponto principal. Cam tinha quatro filhos de acordo com Gênesis 10.6. “Os filhos de [eram] Cam: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã”. Ora, em termos gerais, Cuxe é provavelmente o ancestral dos povos da Etiópia; Mizraim é o ancestral dos egípcios; e Pute é o ancestral dos povos do norte da África, os líbios. Mas Canaã é o único dos quatro filhos que não é ancestral de povos africanos. Gênesis 10.15–18 cita os descendentes de Canaã: “Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete, e aos jebuseus, aos amorreus, aos girgaseus, aos heveus, aos arqueus, aos sineus, aos arvadeus, aos zemareus e aos hamateus”. Todos esses povos eram habitantes de Canaã e proximidades, não da África. E a predição de Noé se tornou verdade quando as nações cananitas foram expulsas pelos israelitas por causa de sua perversidade (Deuteronômio 9.4–5). Então a maldição não recai sobre os povos africanos, mas sobre os cananitas.

A Maldição de Noé Não Trata de Indivíduos
Segundo, a nação predita de Noé não dita como o povo de Deus deve tratar cananitas individuais. Por exemplo, cinco capítulos depois, em Gênesis 14.18, Abraão, descendente de Sete, encontra um cananita nativo chamado Melquisedeque, que era homem justo e “sacerdote do Deus Altíssimo”, e que abençoou Abraão. Abraão deu a ele o dízimo dos seus espólios. Então nem mesmo o fato de que Deus ordena julgamento sobre nações perversas dita a nós como devemos tratar indivíduos nas mesmas nações.

Deus Planeja Redenção para Todas as Nações
Terceiro, em Gênesis 12, Deus coloca em ação um grande plano de rendenção para todas as nações, para resgatá-las dessa e de qualquer outra maldição de pecado e julgamento. Ele chama a Abrão para todas as nações e faz uma aliança com ele e promete: Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”. “Todas as famílias da terra” inclui as famílias cananitas.

Então o que vemos é que, com Abraão, Deus está colocando em ação um plano de redenção que derruba cada maldição sobre qualquer pessoa que recebe a bênção de Abraão, a saber, o perdão e a aceitação de Deus que vem através de Jesus Cristo, a semente de Abraão (Gálatas 3.13–14).


Deus criou todos os grupos étnicos a partir de um ancestral humano.
Atos 17.26:
[Deus] de um só fez toda a raça humana [pan ethnos = todo grupo étnico] para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação.
Observe duas coisas nesse texto.
Primeiro, observe que Deus é o CRIADOR dos grupos étnicos. “Deus fez de um só toda a raça humana”. Grupos étnicos não simplesmente aconteceram a partir de mudanças genéticas aleatórias. Eles aconteceram pelo desígnio e propósito de Deus. O texto diz claramente: “DEUS criou cada ethnos”.

Segundo, observe que Deus criou todos os grupos étnicos a partir de um ancestral humano. Paulo diz: “Ele fez DE UM SÓ cada ethnos”. Isso tem um murro especial quando você pondera o porquê de ele escolher dizer especificamente isso a esses atenienses no aerópago. Os atenienses apreciavam se vangloriar de que eles eram os autochthones, que quer dizer que eles haviam nascido em seu próprio solo nativo e não eram imigrantes de algum outro lugar ou grupo étnico. (Veja Lenski e Bruce, ad. loc.) Paulo escolhe confrontar esse orgulho étnico logo de cara. Deus criou todos os grupos étnicos — atenienses e bárbaros — e ele os criou a partir de um ancestral comum. Então vocês, atenienses, são feitos do mesmo tecido que os desprezados bárbaros e citas.

Todo membro de todo grupo étnico é feito à imagem de Deus.
Gênesis 1.27:
Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Quando você coloca esse ensino de Gênesis 1 (que Deus criou o primeiro homem à sua imagem) junto com o ensino de Atos 17.26 (que Deus criou todos os grupos étnicos a partir desse primeiro ancestral), o que surge é que todos os membros de todos os grupos étnicos são criados à imagem de Deus.

Não importa qual a cor da pele, ou as feições do rosto, ou a textura do cabelo, ou outros traços genéticos; todo ser humano em todo grupo étnico possui uma alma imortal à imagem de Deus: uma mente com poderes de raciocínio singulares semelhantes aos de Deus, um coração com capacidade para julgamentos morais e afeições espirituais, e um potencial para relacionamento com Deus que separa completamente cada pessoa dos animais que Deus criou. Todo ser humano, seja qual for a cor, forma, idade, gênero, inteligência, saúde ou classe social, é criado à imagem de Deus.

É propósito e ordem de Deus que façamos discípulos para Jesus Cristo de cada grupo étnico do mundo, sem distinção.
Mateus 28.18–20:
Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.
Fazei discípulos de “todas as nações” — isto é, de todo grupo étnico. É a mesma expressão de Atos 17.26, onde diz que Deus de um só criou “toda a raça humana” — todo grupo étnico. Assim como todos os grupos étnicos são criados à imagem de Deus, o objetivo de Deus é redimir pessoas de todo grupo étnico. O fato de sermos feitos à imagem de Deus não significa que somos salvos. Todos somos distorcidos pelo pecado. As singulares maneiras em que fomos criados para refletir a glória e o valor de Deus foram amplamente arruinadas. Então Deus enviou o seu Filho, Jesus, ao mundo para morrer por nós para que possamos crer nele e ser perdoados, limpos e restaurados, para que nos tornássemos troféus da sua graça.

A Bíblia proíbe casamento entre um crente e um incrédulo, mas não entre membros de diferentes grupos étnicos.
1 Coríntios 7.39:
A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor.
“Somente no Senhor”. A Bíblia nos direciona claramente a não casar com incrédulos. Se já estamos casados com um incrédulo, devemos permanecer casados (1 Coríntios 7.12–13; 1 Pedro 3.1–6). Mas se estamos livres para casar, devemos casar apenas com aquele que compartilha da nossa lealdade a Jesus.

Esse era o ponto principal das advertências do Antigo quanto a casar com aqueles que pertenciam a nações pagãs. Por exemplo, Deuteronômio 7.3–4:
Nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações; não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para teus filhos; pois elas fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós outros.

A questão não é mistura de cores, ou mistura de costumes, ou identidade do clã. A questão é: haverá uma lealdade comum ao Deus verdadeiro nesse casamento, ou haverá afeições divididas? A proibição na Palavra de Deus não é contra casamento inter-racial, mas contra casamento entre crente e incrédulo. Isso é exatamente o que esperaríamos se a grande base da nossa identidade não são as nossas diferenças étnicas, mas a nossa comum humanidade à imagem de Deus e a nossa nova humanidade à imagem de Cristo.

*Texto de John Piper. Um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes dos dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens milhões de pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu ministério pastoral na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, MN, nos EUA desde 1980.


Preto | Negro  - uso prático e preconceito 

Achille Mbembe, filósofo e historiador camaronês, propõe, em Crítica da Razão Negra, que o conceito de escravo tende a se fundir com o de negro até estes se tornarem uma coisa só. Para desfazer isso, ele defende a “reinvenção da comunidade”, e tal conceito encontra respaldo no processo de ressignificação e politização da ideia de raça, proposto pelo Movimento Negro Unificado (MNU) no final da década de 70.

Um artigo publicado em 1967 por Lerone Bennet Jr, editor sênior da revista Ebony, traz pontos importantes ao debate, como, por exemplo, a discussão que tomou conta dos Estados Unidos à época. Bennet escreve que “há um grupo que sustenta que a palavra negro é um epíteto impreciso que perpetua a mentalidade de mestre-escravo (…) outro grupo, constituído por defensores do Black Power, adotou um novo vocabulário em que a palavra preto é reservada para ‘irmãos pretos e irmãs que estão emancipando a si mesmo’”.

Muitos pensa na origem da palavra “negro”, dizendo que vem de nigro – do grego, inimigo – e, por isso, o certo seria falar “preto”. Na verdade, há discordância sobre a origem, posto que alguns historiadores acreditam que o termo tenha vindo do latim nigrum ou ainda necro, referente à morte (tese esta menos defendida). Mas o ponto é que o discurso de muitos caminha lado a lado ao do músico ganês Nabby Clifford, cujo vídeo onde aborda o tema se torno viral. Em termos gerais, Clifford diz que “negro” é uma palavra negativa, e o certo é usar “preto”.

No continente africano, é diferente. O conceito de raça sequer existia lá: quem o levou foi o branco colonizador para justificar a escravização, justificar a inferiorização de um determinado povo. Ou seja, na África, antes da chegada dos europeus, não existia nem negro, nem preto. Não havia necessidade, pois são grupos étnicos que já têm identidades próprias: ashantes, yorubás, egípcios… Não precisam do conceito de raça para se compreenderem enquanto povos diferentes.

A escravização e as diásporas nos deixaram vários símbolos, e nenhum deles é vazio. “Criado-mudo” não existe em vão. A destruição do racismo é complexa por inúmeros fatores, e um deles é a língua, pois temos um dicionário ainda racista. Apesar de concordar com a visão de rompimento com o léxico proposto pela escravidão, não ouso discordar dos mais antigos, como o pessoal do MNU, que ressignificou a palavra “negro”. Por isso, repito: não há um consenso. A língua é viva, mas a História também tem que ser.




quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Dia da consciência negra - 2014

Eu poderia escrever diversas frases e um texto. Mas vou fazer diferente esse ano, vou deixar as imagens "falarem" por mim. 

1- Representatividade importa

2- A verdade escondida


3- A arma mais usada


4- A beleza negra 

5- O resultado da diversidade

terça-feira, 27 de maio de 2014

Ivone Caetano - uma mulher distinta





Sim, a nova desembargadora do estado do Rio de Janeiro é mulher, negra e seguidora de religião de matriz afrodescendente.

Primeira mulher negra a se tornar juíza do Tribunal de Justiça do Rio, há 20 anos, Ivone Ferreira Caetano, de 69 anos, titular da 1ª Vara da Infância da Juventude e do Idoso, agora acumula um novo aposto ao seu nome: o de primeira desembargadora negra do estado. Nesta segunda-feira, 26 de maio de 2014, ela tomou posse na nova função numa solenidade muito concorrida. Mesmo prestes a se aposentar, em setembro, quando completará 70 anos, Ivone se tornou desembargadora com serenidade e foi bastante aplaudida no plenário do Órgão Especial do TJ, onde, no início da tarde, elegeu-se para o cargo após sete disputas nos últimos dois anos.

Vale a pena conferir a reportagem feita com ela:


Ao contrário do que dizem, é sim relevante destacar o fato dela ser MULHER e NEGRA. 

Só para se ter uma idéia, o  cargo de desembargador, no Rio, já foi ocupado por dois magistrados negros. Em 1998, o TJ-RJ elegeu Gilberto Fernandes. Doze anos depois, o promotor de Justiça Paulo Rangel do Nascimento foi o segundo negro a ocupar o cargo. Só para destacar, o TJ-RJ tem mais de dois séculos e meio de existência. 

Em todo o país, há apenas uma mulher negra que chegou ao cargo de desembargadora. Filha de vaqueiro com uma costureira, Luizlinda Valois Santos foi nomeada na Bahia, em 2011. Isso, por si só, já mostra a importância da nomeação de Ivone, filha de uma lavadeira que criou, sozinha, 11 filhos.

Uma das poucas pesquisas sobre o perfil da magistratura brasileira, feita pelo pesquisador Romeu Ferreira Emygdio, do IBGE, demonstra que o Poder Judiciário de Brasil reflete a segregação étnica que se repete em várias instituições. O estudo, com dados de 1980 a 2000, revela que 85,9%, dos juízes togados declaram-se de cor branca, havendo 14,1% não brancos. Apesar dos 14 anos de diferença, o pesquisador alerta que não há grandes diferenças dos últimos 400 anos de história do Brasil.



O que acontece hoje não é só uma mudança, mas sim, ao meu ver, uma revolução...

Não falo somente da revolução feminista de 1968, marcada pela queima dos sutiãs, mas da revolução silenciosa, prudente e paciente que se iniciou na 2ª Guerra Mundial quando as mulheres viram seus homens partirem e ficaram nas cidades ocupando com desenvoltura espaços que antes eram somente ocupados pelo chamado"sexo forte'", lembre-se que na década de 50, do século passado, era difundida a ideia de que o trabalho deixava a mulher menos feminina e que sua função era cuidar dos afazeres domésticos e da família. Isso quando se fala da mulher em geral, o quadro é mais agravado quando se fala, específicamente, da mulher negra.

"Chegar ao ápice da carreira é maravilhoso para qualquer profissional. Da forma como eu cheguei foi muito difícil e muito duro mas, em qualquer situação, com autoestima, você consegue. Eu acho que eu sou um exemplo para aqueles que estão chegando, para eles verificarem que também podem", disse Ivone Ferreira Caetano.

Gosto de lembrar que a desembargadora não preciso de cotas raciais para chegar onde chegou. Entendo a necessidade das cotas, mas penso que elas mais segregam que agregam. E o atual sistema precisa de muitas melhorias para garantir acesso, mas também a permanência e desenvolvimento dos contemplados. Mas continuo afirmando, representatividade importa sim, ainda mais para os negros. 

Parabéns desembargadora, minha esperança é que, no futuro, seu exemplo seja regra e não exceção. 



terça-feira, 13 de maio de 2014

13 de maio - Existe motivo para comemoração?


No documento acima, escrito em 13 de maio de 1888, declara, na linguagem atual:

Declara extinta a escravidão no Brasil:
A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade o Imperador, o Senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembleia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte:
Art. 1.º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.
Art. 2.º: Revogam-se as disposições em contrário.
Manda, portanto, a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram, e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.
O secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e interino dos Negócios Estrangeiros, Bacharel Rodrigo Augusto da Silva, do Conselho de Sua Majestade o Imperador, o faça imprimir, publicar e correr.
Dada no Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1888, 67.º da Independência e do Império.
Princesa Imperial Regente.
Rodrigo Augusto da Silva
Carta de lei, pela qual Vossa Alteza Imperial manda executar o Decreto da Assembleia Geral, que houve por bem sancionar, declarando extinta a escravidão no Brasil, como nela se declara. Para Vossa Alteza Imperial ver. Chancelaria-mor do Império - Antônio Ferreira Viana.
Transitou em 13 de maio de 1888.- José Júlio de Albuquerque.

Assim, foi declarada extinta a abolição no Brasil através da Lei Auréa, assinada pela então regente, Princesa Isabel. E saiu até no diário oficial da união.





Mas existe motivo para celebração? Quero ser otimista e acreditar que sim.

Segundo o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas) o número de negros donos de seus próprio negócios tem crescido, veja o gráfico abaixo:



Segundo o presidente do SEBRAE, Luiz Barreto: "A desigualdade ainda existe, mas a melhora da escolaridade e do rendimento aponta para uma situação mais favorável, no futuro, para os negros que estão no empreendedorismo". Eu acredito que isso é motivo de comemoração.

Segundo o último senso do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -, realizado em 2010, o número de negros nas universidade aumentou. 






De 2000, ano de implantação do sistema de cotas no Brasil, até 2004 o número de negros e pardos que se formavam nas universidades aumentou de 15,7 em 2000, para 35,4 em 2004, mais do que o dobro. E essa pesquisa tem 10 anos.

A UERJ um estudo alguns anos atras sobre o rendimento acadêmico de cotistas e não cotistas, veja o resultado:




Não veja os números absolutos, mas compare o rendimento nos dois vestibulares os cotista tem um rendimento, durante o curso, de 8,007 contra 8,004 dos não cotistas. A matéria completa pode ser lida no link abaixo: 



Mesmo assim, continuo sendo contra as cotas, apesar de entender a sua importância e relevância. Acredito que estamos segregando mais que agregando, mas continuo a falar, sou contra mas entendo a importância, afinal, representatividade importa. 





Existem muitas mazelas, sim. Pessoas se chamando de macacos e outros absurdos, mas existem mais prós do que contras. Sim, viva o 13 de maio.  




terça-feira, 29 de abril de 2014

Eu não sou macaco



Me perdoe o Daniel Alves. Sua intenção foi até "esportista" e "bem-humorada", mas se declarar como macaco para fazer com que outras pessoas não te chamem assim não me parece muito inteligente. Mesmo com o argumento de que essa autoafirmação é uma crítica irônica e sarcástica ao racismo, não consigo encontrar uma lógica que justifique alguma eficiência nessa campanha. Qual a reflexão produtiva em relação ao racismo que a afirmação “somos todos macacos” traz? Qual a sua utilidade na luta contra o preconceito? Se a afirmação de que “somos todos humanos” já se mostrava inútil no combate ao racismo, imagina a afirmação de que somos macacos.

A mesma falta de lógica ocorreria se um dia um grupo de mulheres pertencentes ao movimento feminista lançasse uma campanha intitulada “somos todas mal comidas”, já que este é um insulto utilizado pelos machistas para ofender as mulheres que lutam nessa causa. Será que os machistas ao verem essa campanha se sentiriam incomodados ou adorariam ver mulheres se identificando com o próprio insulto baixo que eles utilizam?


É desanimador ver que passamos por 400 anos de luta para chegarmos em 2014 com pessoas achando bonito se identificar com um insulto criado para ofender nossos ancestrais de origem africana. A intenção da maioria das pessoas que participam dessa campanha é boa, mas creio que faltou uma reflexão mínima na hora de escolher o nome da mesma. Com o perdão da expressão que vou usar, mas Macaco é o caramba!!! Eu não sou macaco droga nenhuma! Não me levem a mal, mas, para certos tipos de pessoas, somente expressões fortes impactam. Então, eis elas escritas.





Faço uso de algumas informações da internet para escrever esse texto, vale a pena se informar um pouco.

Macaco é macaco. (Macaco é um termo de origem africana (provavelmente do banto: makako) utilizado como designação comum a todas as espécies de símios ou primatas antropóides, aplicada no Brasil, restritivamente, aos cebídeos (ou macacos do Novo Mundo) em geral.


No sentido estrito, macaco refere-se às espécies de primatas pertencentes ao género Macaca) .... Ou seja, nenhum de nós seres humanos somos macacos.


Somos é maldosos e de inteligência primitiva, muito mais do que eu desejaria...! Em Inglês macaco é usado como gíria para feio, mal formado ou pelotão....como era usado também no cangaço, para se referir aos "pés de pato" contra Capitão Virgulino. Existem mitos gregos que se referem aos Cercopes, transformados em macacos por Zeus, vale conhecer, história boa, cultura. Tem até uma espécime chamada popularmente de satanás, um macaquinho todo preto....hã... Curioso!!!


Até Gretchen, e olha que não sou muito chegado no que essa mulher fala, deu uma lição de moral. Quero ver o Neymar, Luciano Huck, Angélica e "somos todos macacos" e cia usarem uma hastag dessa.








Somos todos vítimas da ignorância, preconceito, maldade e liberdade de atacar o próximo, o semelhante (ou não também, pobre dos macacos). Somos vítimas da espécie homo sapiem sapiens, a pior de todas elas!!!

Por isso digo e repito EU NÃO SOU MACACO e não compartilho da onda de "glamurização em mídia virtual" deste termo perjorativo relacionado a qualquer ser humano, mas sou a favor de câmeras nos estádios e punições mais rígidas para o intolerável ato de discriminação étnica, filosófica, sexual ou religiosa. Shalom (Paz) pra todos. 









domingo, 23 de fevereiro de 2014

Jesus Cristo negro



Recentemente vi um estudo interessante sobre a cor da pele de Jesus. Quero deixar claro que não acredito que Jesus era negro, mas, com o perdão do trocadilho, que fique escuro que Jesus também não era loiro de olhos azuis.

Abaixo segue o estudo.

Jesus nasceu em África. Os Evangelhos dizem de maneira explícita que Jesus nasceu em “Belém de Judá, no tempo do rei Herodes” (Mt 2,1 cfr. 2, 5.6.8.16), (Lc 2, 4.15), (Jo 7, 40-43). Nos tempos antigos, incluindo o tempo de Jesus, Belém de Judá era considerado parte de África. Até a construção do Canal de Suez, Israel fazia parte da África. Esta visão haveria de perdurar até 1859, quando o engenheiro francês Ferdinand de Lesseps pôs-se a construir o Canal de Suez. A partir daí, foi a África separada não somente geográfica, mas sobretudo histórica, cultural e antropologicamente do que hoje chamamos Oriente Médio. Aquela milenar extensão da África passa a figurar nos mapas como se fora Ásia. 

Jesus tinha presença negra na linhagem familiar. A genealogia de Jesus foi misturada com a linha de Cam desde os tempos passados em cativeiro no Egito e na Babilônia. Nos antepassados de Jesus através de Cam, lado feminino desta mistura, há cinco mulheres mencionadas na genealogia de Jesus Cristo ( Tamar, Raabe, Rute, Bateseba e Maria) (Mateus 1:1-16). As primeiras senhoras mencionadas eram de descendência de Cam. Assim, Jesus pode ser aclamado etnicamente pelos povos semitas e descendentes de Cam.

Jesus era da tribo de Judá, uma das tribos Africanas de Israel. Ancestrais masculinos de Jesus vêm da linha de Sem (miscigenados). No entanto, a genealogia de Jesus foi misturada com a linha de Cam desde os tempos passados em cativeiro no Egito e na Babilônia. O antepassado de Jesus através de Cam é narrado em Gênesis 38: então Tamar, a mulher Cananéia (Negra) fica grávida de Judá, e dá à luz aos gêmeos Zerá e Perez, formando a Tribo de Judá, antepassados do rei Davi e de José e Maria, os pais terreno de Jesus. 

Jesus se escondeu entre os Negros. Não foi por acaso que Deus enviou a Maria e José para o Egito com o propósito de esconder o menino Jesus do rei Herodes (Mateus 2:13). Ele não poderia ter sido escondidos no norte da África se fosse um menino branco. Não por proteção militar já que nessa época o Egito era uma província romana sob o controle romano, mas porque o Egito ainda era um país habitado por pessoas negras. Assim, José, Maria e Jesus teriam sido apenas mais uma família negra entre os negros, que tinham fugido para o Egito com a finalidade de esconder Jesus de Herodes, que estava tentando matar o menino. 




Se Jesus fosse branco, loiro de olhos azuis, teria sido difícil para ele e sua família se esconder entre os egípcios negros sem ser notado. O povo hebreus era muito parecido com povo egípcios, caso contrario teria sido difícil reconhecer uma família hebraica entre os egípcios Negros. Foi no Egito que o povo de Israel teve seu auge da negritude, Setenta israelitas entraram no Egito e lá ficaram durante 430 anos, trinta anos os israelitas foram hóspedes, e 400 anos cativos no Egito, eles e seus descendentes se casaram com não-israelitas, chegando a mais de 600.000 homens, mulheres e crianças. Saíram do Egito uma multidão misturada. Etnicamente, os seus antepassados eram uma combinação de afro-asiáticos. 

Jesus era semelhante pedra de jaspe e de sardônio. Em apocalipse a Bíblia continua mostrando a negritude de Jesus. Ele é chamado o Cordeiro de Deus segundo as Escritura Sagrada, com seu cabelo lanoso, sendo comparado a lã de cordeiro, e os pés com a cor de bronze queimado (Apocalipse 1:15), com uma aparência semelhante pedra de jaspe e de sardônio (Apocalipse 4:3), que são geralmente pedras amarronzadas. As cores de jaspe e sardônio não são únicas e absolutas, são diversas cores.




Interessante, não? Imagine... um Jesus black. Mas a realidade é que Ele não era nem caucasiano nem negro. 

O conceito de "raça" já caiu há alguns anos. No que tange aos seres humanos, só existe uma "raça" a "raça humana", que é dividida em diverso grupos étnicos. Para o IBGE, existem oficialmente as seguintes pigmentações de pele:

- preto: eu particularmente não gosto, prefiro negro.
- branca: que designa os caucasianos em geral.
- vermelha: para os ruivos
- amarela: estranho não é? mas a cor existe e serve para designar os orientais
- parda: o antigo "moreno" ou "mulato"
- indígena: também não gosto dessa nomeclatura, mas ela serve para classificar os povos nativos do Brasil. 

De fato, Jesus não era branco. Pois essa passou a ser sua representação somente quando o cristianismo se tornou a religião oficial do imperio romano e surgiu a Igreja Católica Apóstolica Romana. Lembre-se que os romanos eram brancos. 

Mas afirmar que Jesus Cristo era negro, na minha opinião, já "forçar a barra". Na melhor das hipóteses Cristo era pardo, uma coloração de pele característica dos povos do oriente médio. 

No que tange a fé, não importa a cor da pele de Jesus, se Ele tinha mais ou menos melanina (pigmento que dar cor a pele humana). Mas sim Seus princípios e ensinamentos.





Mas que seria legal um Jesus rastafari seria, não seria?




sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Adeus Madiba



O mundo perdeu, ontem (05/12/2013), um símbolo da luta contra o racismo e pela paz mundial. Aos 95 anos, morre Nelson Mandela, agraciado com o Prêmio Nobel da Paz de 1993, militante incansável pela liberdade e contra a discriminação racial há mais de 70 anos e primeiro presidente negro da história da África do Sul.

 

 Não conheci pessoalmente Mandela, mas seu exemplo me influenciou profundamente. Madiba, nome do clã ao qual pertencia e que lhe deu o apelido sul-africano, foi um homem destes que vem a cada geração.

O homem morreu, mas seu legado é eterno.





"Bravo não é quem sente medo, é quem o vence." Nelson Mandela, 1918 - 2013

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Manifesto de uma consciência negra - recordando






Não poderia passar esse dia em branco, com o perdão do trocadilho.

Mas quero recordar um antigo texto

Clique aqui para ler. Manifesto de uma consciência negra




O rapaz "S" que cito no texto acima hoje esta bem, é responsável pela fluxo de produção de uma grande empresa alimentícia e vive feliz.Sim, é preciso ter uma consciência humana coletiva, mas antes é preciso tem uma consciência sem preconceitos individual.

Estamos mudando a passos lentos, mas pelo menos há mudança.




domingo, 3 de fevereiro de 2013

NUFAC - Núcleo de Formação de Agentes Culturais da Juventude Negra


Os NUFAC’s foram instituídos de acordo com a Chamada Pública nº 001/2012, que selecionou 10 (dez) propostas de órgãos e entidades para realizar cursos de formação profissional na área cultural para qualificar jovens negros brasileiros.

É interessante escrever sobre isso agora... ano passado enquanto escrevia um projeto para esse edital, e meu colega Marcos Delgado fazia o orçamento, escreviamos acreditando no sucesso, mas não muito...

Qual foi a nossa surpresa ao saber que, além de ser aprovado ficamos em primeiro lugar em todo Brasil... Já havia escrito projetos para editais antes, e até sido aprovados e alguns, mas ficar em primeiro lugar, com pontuação máxima... esse foi o primeiro. Acima esta o quadro de pontos.

No dia 19 de dezembro de 2012 estive em Brasília com representantes do Amigos na Cultura - ANAC, para assinatura do convênio no Hotel São Marcos.  Foi bom retornar a capital da nação depois de alguns anos desde a última vez que estive lá...




Abaixo a cópia do diario oficial e a classificação da Fundação Palmares.

 

Foi um verdadeiro privilégio esta em um evento com uma proposta única para a juventude negra brasileira.

Quando vi representantes de Estados e universidades e outras instituições e que "cai na real" do feito que eu e meu colega Marcos Delgado haviamos realizado.





Como já tenho feito neste blog, tenho uma série de críticas quanto a forma de se pensar o negro e suas políticas no Brasil. Não existem mais raças, somente a raça humana, mas étinias existem e as idéias e cultura agregadas a elas. E abaixo deixo um exemplo interessante para pensar na legitimidade de projetos como o NUFAC.




A lista completa dos núcleos aprovados e outras informações do NUFAC podem ser vista no link: Aprovados NUFAC

Apartir do dia 18 iniciamos o processo de incrição e seleção dos jovens. Dia 26 de fevereiro no SESC de Barra Mansa vamos realizar a abertura oficial e o inicio das aulas vai ocorrer no dia 04 de março.

Abaixo um resumo do núcleo que vai ser coordenado por mim no Amigos na Cultura:



Com o intuito de desconstruir hipóteses desinformadas e/ou preconceituosas e promovendo momentos para a população negra de conhecer e se reconhecer no legado da História Africana e afrodescendente, o Amigos na Cultura vai realizar a implantação do Núcleo de Formação de Agente Cultural da Juventude Negra – NUFAC – RJ – para realização de 05 (cinco) Cursos de Formação Profissional na Área da Cultura a 200 (duzentos) Jovens Negros e Negras, entre 15 e 29 anos, do ensino fundamental e médio, incompleto e completo, ministrados na modalidade presencial, com carga horária de 200 (duzentos) hora/aula por curso, cuja realização se dará durante 10 meses nas instalações de Unidades de Ensino dos bairros Paraíso de Cima e Getúlio Vargas e Vista Alegre da cidade de Barra Mansa, na Região Sul Fluminense do estado do Rio de Janeiro. Este núcleo visa a capacitação em Produtor Cultural, Produtor de Vídeo, Operador de Áudio, Operador de Editoração Eletrônica e Figurinista, além de ter um módulo de 40h, nominado Relações Humanas, para atuar de acordo com a lei 10639/2003 que estabelece o ensino da História da África e da Cultura afrobrasileira nos sistemas de ensino, no sentido de reconhecer o núcleo como lugar da formação de cidadãos e afirmar a relevância do mesmo para promover a necessária valorização das matrizes culturais que fizeram do Brasil o país rico, múltiplo e plural que somos. Nossas ações principais envolvem uma abordagem interdisciplinar e multi-disciplinar desenvolvida a partir de uma metodologia de pesquisa-ação através de oficinas enfocando o próprio jovem, sua comunidade e a sociedade na qual está inserido, as diferentes linguagens, a orientação e a prática da produção cultural.

A Fundação Palmares é um órgão ligado ao Ministério da Cultura do governo federal e a proposta do Amigos na Cultura ficou em primeiro lugar, competindo com várias instituições de todo o Brasil, incluído faculdades, institutos e órgãos públicos. Serão realizados 10 núcleos do NUFAC em todo o Brasil e o núcleo coordenado pelo Amigos na Cultura vai ser o único do estado do Rio de Janeiro.



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