Na verdade a frase do título da imagem acima esta incorreta, no que tange ao cristianismo. Fundamentalismo religioso (embora essa seja uma expressão extremamente mal usada) levaria uma pessoa a se importar com a vida em ambos os casos, uma vez que o FUNDAMENTO do Cristianismo é o "amar ao próximo como a si mesmo". Apesar do equívoco, vale a reflexão da imagem um evangélico pode ser contraditório assim, um cristão não. Acredite, tem pessoas que ao lerem isso podem pensar: "Como pode? Comparar um traficante com uma criança inocente?". Vida é vida, uma dádiva dada pelo Eterno, não cabe a nós decidir quem merece viver ou morrer, e quero deixar especificado nestes dois casos (aborto e pena de morte). Temos muitos evangélicos (religiosos) apressados em julgar e poucos cristãos interessados em curar... Cada um é responsável pela consequências de seus atos, os feitos, os pensados e os declarados... Mas alguns crentes precisam ler "um pouco" mais do livro sagrado que alguns alegam seguir.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Pena de morte e cristianismo
Na verdade a frase do título da imagem acima esta incorreta, no que tange ao cristianismo. Fundamentalismo religioso (embora essa seja uma expressão extremamente mal usada) levaria uma pessoa a se importar com a vida em ambos os casos, uma vez que o FUNDAMENTO do Cristianismo é o "amar ao próximo como a si mesmo". Apesar do equívoco, vale a reflexão da imagem um evangélico pode ser contraditório assim, um cristão não. Acredite, tem pessoas que ao lerem isso podem pensar: "Como pode? Comparar um traficante com uma criança inocente?". Vida é vida, uma dádiva dada pelo Eterno, não cabe a nós decidir quem merece viver ou morrer, e quero deixar especificado nestes dois casos (aborto e pena de morte). Temos muitos evangélicos (religiosos) apressados em julgar e poucos cristãos interessados em curar... Cada um é responsável pela consequências de seus atos, os feitos, os pensados e os declarados... Mas alguns crentes precisam ler "um pouco" mais do livro sagrado que alguns alegam seguir.
domingo, 7 de dezembro de 2014
*A maldição dos africanos
Os africanos não são descendentes de Canaã, nem estão sob a
maldição de Noé
Ao longo dos séculos algumas pessoas tentaram provar que a
raça negra está destinada a ser subserviente por causa das palavras de Noé
sobre o seu filho Cam que foi o pai dos povos africanos. Observemos o próprio
texto da Escritura, e então eu darei três razões de porque isso não determina
como os povos da África devem ser vistos e tratados. Lembre-se que Noé tinha
três filhos: Sem, Cam e Jafé.
Gênesis 9.21–25:
Bebendo do vinho, embriagou-se [Noé] e se pôs nu dentro de
sua tenda. Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus
dois irmãos. Então, Sem e Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os próprios
ombros de ambos e, andando de costas, rostos desviados, cobriram a nudez do
pai, sem que a vissem. Despertando Noé do seu vinho, soube o que lhe fizera o
filho mais moço. Então disse: “Maldito seja [ou “será”] Canaã; seja servo dos
servos a seus irmãos”.
Agora observe três coisas:
A Maldição de Noé Cai sobre Canaã
Primeiro, Noé toma essa ocasião do pecado de seu filho Cam e
a usa para fazer uma predição sobre a prosperidade do filho mais novo de Cam,
Canaã. Basicamente a predição é que os cananitas eventualmente seriam
subjugados pelos descendentes de Sem e Jafé.
Ora, há muitas perguntas a se fazer aqui. Mas eu só tenho
tempo para apontar algumas poucas relevantes ao nosso ponto principal. Cam
tinha quatro filhos de acordo com Gênesis 10.6. “Os filhos de [eram] Cam: Cuxe,
Mizraim, Pute e Canaã”. Ora, em termos gerais, Cuxe é provavelmente o ancestral
dos povos da Etiópia; Mizraim é o ancestral dos egípcios; e Pute é o ancestral
dos povos do norte da África, os líbios. Mas Canaã é o único dos quatro filhos
que não é ancestral de povos africanos. Gênesis 10.15–18 cita os
descendentes de Canaã: “Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete, e aos
jebuseus, aos amorreus, aos girgaseus, aos heveus, aos arqueus, aos sineus, aos
arvadeus, aos zemareus e aos hamateus”. Todos esses povos eram habitantes de
Canaã e proximidades, não da África. E a predição de Noé se tornou verdade
quando as nações cananitas foram expulsas pelos israelitas por causa de sua
perversidade (Deuteronômio 9.4–5). Então a maldição não recai sobre os povos
africanos, mas sobre os cananitas.
A Maldição de Noé Não Trata de Indivíduos
Segundo, a nação predita de Noé não dita como o povo de Deus
deve tratar cananitas individuais. Por exemplo, cinco capítulos depois, em
Gênesis 14.18, Abraão, descendente de Sete, encontra um cananita nativo chamado
Melquisedeque, que era homem justo e “sacerdote do Deus Altíssimo”, e que abençoou
Abraão. Abraão deu a ele o dízimo dos seus espólios. Então nem mesmo o fato de
que Deus ordena julgamento sobre nações perversas dita a nós como devemos
tratar indivíduos nas mesmas nações.
Deus Planeja Redenção para Todas as Nações
Terceiro, em Gênesis 12, Deus coloca em ação um grande plano
de rendenção para todas as nações, para resgatá-las dessa e de qualquer outra
maldição de pecado e julgamento. Ele chama a Abrão para todas as nações e faz
uma aliança com ele e promete: Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei
os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”.
“Todas as famílias da terra” inclui as famílias cananitas.
Então o que vemos é que, com Abraão, Deus está colocando em
ação um plano de redenção que derruba cada maldição sobre qualquer pessoa que
recebe a bênção de Abraão, a saber, o perdão e a aceitação de Deus que vem
através de Jesus Cristo, a semente de Abraão (Gálatas 3.13–14).
Deus criou todos os grupos étnicos a partir de um ancestral
humano.
Atos 17.26:
[Deus] de um só fez toda a raça humana [pan ethnos =
todo grupo étnico] para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os
tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação.
Observe duas coisas nesse texto.
Primeiro, observe que Deus é o CRIADOR dos grupos étnicos.
“Deus fez de um só toda a raça humana”. Grupos étnicos não
simplesmente aconteceram a partir de mudanças genéticas aleatórias. Eles
aconteceram pelo desígnio e propósito de Deus. O texto diz claramente: “DEUS
criou cada ethnos”.
Segundo, observe que Deus criou todos os grupos étnicos a
partir de um ancestral humano. Paulo diz: “Ele fez DE UM SÓ cada ethnos”.
Isso tem um murro especial quando você pondera o porquê de ele escolher dizer
especificamente isso a esses atenienses no aerópago. Os atenienses apreciavam
se vangloriar de que eles eram os autochthones, que quer dizer que eles
haviam nascido em seu próprio solo nativo e não eram imigrantes de algum outro
lugar ou grupo étnico. (Veja Lenski e Bruce, ad. loc.) Paulo escolhe confrontar
esse orgulho étnico logo de cara. Deus criou todos os grupos étnicos —
atenienses e bárbaros — e ele os criou a partir de um ancestral comum. Então
vocês, atenienses, são feitos do mesmo tecido que os desprezados bárbaros e
citas.
Todo membro de todo grupo étnico é feito à imagem de Deus.
Gênesis 1.27:
Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o
criou; homem e mulher os criou.
Quando você coloca esse ensino de Gênesis 1 (que Deus criou
o primeiro homem à sua imagem) junto com o ensino de Atos 17.26 (que Deus criou
todos os grupos étnicos a partir desse primeiro ancestral), o que surge é que
todos os membros de todos os grupos étnicos são criados à imagem de Deus.
Não importa qual a cor da pele, ou as feições do rosto, ou a
textura do cabelo, ou outros traços genéticos; todo ser humano em todo grupo
étnico possui uma alma imortal à imagem de Deus: uma mente com poderes de
raciocínio singulares semelhantes aos de Deus, um coração com capacidade para
julgamentos morais e afeições espirituais, e um potencial para relacionamento
com Deus que separa completamente cada pessoa dos animais que Deus criou. Todo
ser humano, seja qual for a cor, forma, idade, gênero, inteligência, saúde ou
classe social, é criado à imagem de Deus.
É propósito e ordem de Deus que façamos discípulos para
Jesus Cristo de cada grupo étnico do mundo, sem distinção.
Mateus 28.18–20:
Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide,
portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e
do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos
tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do
século.
Fazei discípulos de “todas as nações” — isto é, de todo
grupo étnico. É a mesma expressão de Atos 17.26, onde diz que Deus de um só
criou “toda a raça humana” — todo grupo étnico. Assim como todos os grupos
étnicos são criados à imagem de Deus, o objetivo de Deus é redimir pessoas de
todo grupo étnico. O fato de sermos feitos à imagem de Deus não significa que
somos salvos. Todos somos distorcidos pelo pecado. As singulares maneiras em
que fomos criados para refletir a glória e o valor de Deus foram amplamente
arruinadas. Então Deus enviou o seu Filho, Jesus, ao mundo para morrer por nós
para que possamos crer nele e ser perdoados, limpos e restaurados, para que nos
tornássemos troféus da sua graça.
A Bíblia proíbe casamento entre um crente e um incrédulo,
mas não entre membros de diferentes grupos étnicos.
1 Coríntios 7.39:
A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se
falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no
Senhor.
“Somente no Senhor”. A Bíblia nos direciona claramente a não
casar com incrédulos. Se já estamos casados com um incrédulo, devemos
permanecer casados (1 Coríntios 7.12–13; 1 Pedro 3.1–6). Mas se estamos
livres para casar, devemos casar apenas com aquele que compartilha da nossa
lealdade a Jesus.
Esse era o ponto principal das advertências do Antigo quanto
a casar com aqueles que pertenciam a nações pagãs. Por exemplo, Deuteronômio
7.3–4:
Nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações; não
darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para teus
filhos; pois elas fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a
outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós outros.
A questão não é mistura de cores, ou mistura de costumes, ou
identidade do clã. A questão é: haverá uma lealdade comum ao Deus verdadeiro
nesse casamento, ou haverá afeições divididas? A proibição na Palavra de Deus
não é contra casamento inter-racial, mas contra casamento entre crente e
incrédulo. Isso é exatamente o que esperaríamos se a grande base da nossa
identidade não são as nossas diferenças étnicas, mas a nossa comum humanidade à
imagem de Deus e a nossa nova humanidade à imagem de Cristo.
*Texto de John Piper. Um dos ministros e autores
cristãos mais proeminentes e atuantes dos dias atuais, atingindo com suas
publicações e mensagens milhões de pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu
ministério pastoral na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, MN, nos EUA
desde 1980.
Preto | Negro - uso prático e preconceito
Achille Mbembe, filósofo e historiador camaronês, propõe, em Crítica da Razão Negra, que o conceito de escravo tende a se fundir com o de negro até estes se tornarem uma coisa só. Para desfazer isso, ele defende a “reinvenção da comunidade”, e tal conceito encontra respaldo no processo de ressignificação e politização da ideia de raça, proposto pelo Movimento Negro Unificado (MNU) no final da década de 70.
Um artigo publicado em 1967 por Lerone Bennet Jr, editor sênior da revista Ebony, traz pontos importantes ao debate, como, por exemplo, a discussão que tomou conta dos Estados Unidos à época. Bennet escreve que “há um grupo que sustenta que a palavra negro é um epíteto impreciso que perpetua a mentalidade de mestre-escravo (…) outro grupo, constituído por defensores do Black Power, adotou um novo vocabulário em que a palavra preto é reservada para ‘irmãos pretos e irmãs que estão emancipando a si mesmo’”.
Muitos pensa na origem da palavra “negro”, dizendo que vem de nigro – do grego, inimigo – e, por isso, o certo seria falar “preto”. Na verdade, há discordância sobre a origem, posto que alguns historiadores acreditam que o termo tenha vindo do latim nigrum ou ainda necro, referente à morte (tese esta menos defendida). Mas o ponto é que o discurso de muitos caminha lado a lado ao do músico ganês Nabby Clifford, cujo vídeo onde aborda o tema se torno viral. Em termos gerais, Clifford diz que “negro” é uma palavra negativa, e o certo é usar “preto”.
No continente africano, é diferente. O conceito de raça sequer existia lá: quem o levou foi o branco colonizador para justificar a escravização, justificar a inferiorização de um determinado povo. Ou seja, na África, antes da chegada dos europeus, não existia nem negro, nem preto. Não havia necessidade, pois são grupos étnicos que já têm identidades próprias: ashantes, yorubás, egípcios… Não precisam do conceito de raça para se compreenderem enquanto povos diferentes.
A escravização e as diásporas nos deixaram vários símbolos, e nenhum deles é vazio. “Criado-mudo” não existe em vão. A destruição do racismo é complexa por inúmeros fatores, e um deles é a língua, pois temos um dicionário ainda racista. Apesar de concordar com a visão de rompimento com o léxico proposto pela escravidão, não ouso discordar dos mais antigos, como o pessoal do MNU, que ressignificou a palavra “negro”. Por isso, repito: não há um consenso. A língua é viva, mas a História também tem que ser.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Dilma - religião e política
Na manhã da quinta-feira 30 de outubro de 2014, a presidente Dilma Vana Rousseff viajou para a Base Naval de Aratu, na Bahia, para alguns dias de descanso. Exausta devido aos quatro meses de acirrada campanha eleitoral, Dilma se recolheu para recarregar as baterias e refletir sobre o segundo mandato, conquistado nas urnas com os votos de 54,5 milhões de brasileiros – o equivalente a 51,6% do eleitorado, a margem mais estreita sobre o segundo colocado desde a redemocratização. A missão que Dilma tem pela frente não é nada fácil. Mas já na largada ela mostrou que está mais perto de cometer os erros que marcaram seus quatro primeiros anos de governo do que compreender o clamor das ruas.
Um desses erros é quanto ao aspecto religioso.
A presidente Dilma Rousseff manda tirar Bíblia e crucifixo do gabinete. Leia em:
www.correiodoestado.com.br
Na nossa Carta Magna diz: "Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL."
"Sob a proteção de Deus!" Que Deus? O Criador. O Deus da maioria esmagadora dos brasileiros, que confessa Cristo como Senhor e Salvador. Logo, o Estado brasileiro, não só reconhece a existência de Deus, o SOBERANO SENHOR, mas invoca Sua proteção.
A laicidade do Estado é o gesto de respeito desse povo cristão aos que professsam qualquer outra religião ou nenhuma delas. A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL É UM ESTADO LAICO, PORÉM NÃO ATEU. A nação é formada por pessoas e sua maioria esmagadora professa a fé cristã.
Com esse ato Dilma pode esta sinalizando para a verdadeira laicaidade do estado ou iniciando uma descristianização do estado brasileiro. O ato foi feito em seu primeiro mandato. Pesquisei e comprovei sua veracidade com a matéria acima citada.
De qualquer modo não posso deixar passar a oportunidade de usar a nobre arte aperfeiçoada por Sócrates, a maiêutica, e dizer aos líderes cristãos que votaram, e entram para a militância, pró Dilma em 2014: Estão satisfeitos com esse fato?
Dilma é nossa 36° presidente eleita, a primeira mulher a ser eleita, e reeleita, chefe de estado do governo da República Federativa dos Estados Unidos do Brasil. Até o momento, única mulher a se sentar na cadeira máxima do executivo da nação brasileira, isso mostra um pouco sobre os rumos que o Brasil e o mundo estão tomando.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Vote na religião e fica na mão
Recentemente li uma reportagem no jornal extra que me deixou preocupado... Leia o link abaixo:
Número de candidatos pastores evangélicos aumenta 70%
É... você leu corretamente. O número de candidatos "pastores evangélicos" cresceu em 70% nessa eleição. E ao contrário do que você pode pensar, isso NÃO é bom.
Entenda... Ter um número elevado de "pastores evangélicos" candidatos não significa que teremos um número significativo de cristãos, mas sim de religiosos. Parafraseando um pastor socialista: "Deus nos livre de um Brasil evangélico", não concordo com tudo que disse Ricardo Gondim, mas que não precisamos de um país religioso/evangélico, realmente, não precisamos.
Não me leve a mal... Sou, em formação acadêmica, pós-graduado em história e também doutor em teologia e filosofia. Mas, também, sou pastor de uma denominação cristã/protestante. Então, quando falo, apresento dois pontos de vistas que podem parecer antagônicos, mas não são.
Acredito, e quero, que Deus possa formar uma nação com princípios CRISTÃOS e não religiosos, pautados em usos e costumes doutrinários denominacionais.
Precisamos de pessoas com caráter cristão e não somente carisma religioso.
Muito se tem falado do estado laico nesses dias, ok. Vamos analisar a nossa moeda, recentemente pediram para que a frase "Deus seja louvado" fosse retirada:
Querem tirar os símbolos cristãos? Ok. Vamos tirar os maçônicos e de outras religiões e ideologias também, mas quanto a esses ninguém fala nada...
Se eu gosto da ideia do estado laico? Claro. Mas me diga como isso é possível hoje? Só no Rio de Janeiro, Ogum, Oxóssis e Iansã se tornaram patrimônio imaterial do estado, São Jorge tem um feriado só dele e, só para não dizer que só falei das religiões de matriz africana e da igreja católica, a música "gospel" também é patrimônio imaterial no estado, e artistas que difundem a cultura "gospel" e, com isso, a religião "evangélica" ganham incentivos fiscais do estado, como também os dois primeiros casos.
Acorda! O estado só é laico no papel.
É preciso lembrar que quando D. João VI veio ao Brasil, no período colonial, ele não era somente o soberano de Portugal, mas também o representante legitimo da Igreja Católica.
Sem falar que nosso antigo monarca era maçom, seu filho, D. Pedro era maçom, seu neto também, sem falar dos primeiros presidentes da nação.
Talvez, para agradar a todos, nossa moeda deveria ser assim:
Mesmo assim, alguma linha religiosa ia dizer que sua divindade específica não foi citada.
Recentemente um homem me perguntou se eu aceitava a indicação de um político ou se tudo era definido pelo meu líder denominacional eclesiástico... Tal homem não me conhece, por isso fez esse questionamento obtuso.
Sim, sou parte de uma liderança denominacional cristã/protestante e devo respeito, obediência e honra a ela, desde de que esteja centrada nos princípios cristãos. Mas também sou um livre pensador, cientista por natureza e formação, tanto da área de exatas quanto de humanas.
Deus, o Criador de todas a coisas, deu a nós o livre arbítrio. Quem é homem, independente de sua patente, que pode tira-lo? Mas antes que os rebeldes se animem falando: "é isso mesmo, temos que ir contra os líderes. Fazer o que bem entendermos" e etc... Digo algo, sempre expus a minha liderança minha opinião, tanto na concordância, quanto na discordância. Quando acontece o primeiro faço uma proclamação pública, quando acontece o segundo me silencio publicamente e, depois de expor minha posição pessoalmente, exerço minha liberdade conferida por Deus e minha mente de forma individual. E arco com as consequências disso.
O problema não é discordar, mas sim a forma que você faz isso.
Seja através da oração (método metafísico) ou de reflexão analítica (método científico e filosófico), acredito que temos sim liberdade de escolha, mas não temos o direito de nos rebelarmos contra aqueles que exercerem liderança sobre nós. Seja no nível eclesiástico ou secular.
O começo do fim do movimento socialista na Rússia foi quando Lenin morreu e Stalin e Trotsky divergiram. O mesmo se deu quando, na revolução francesa, Robespierre, cego pelo poder que lhe foi outorgado, começo a matar seus pares.
Um reino divergente não subsiste.
Não vejo o cristianismo como uma religião, suas subdivisões, sejam elas espíritas, católicas e protestantes, sim.
O cristianismo não é uma idéia/conceito/estilo de vida confortável.
E o que a religião faz é exatamente isso, adaptar uma idéia/conceito/estilo de vida a mim, meus desejos e vontades. Se não estiver bom vou para outra. Existem outros conceitos que são assim também, um é a filosofia, e dentro dela a política e as ideologias. Se uma não esta boa, vou para outra... ou crio a minha própria.
Não pense que a religião, a filosofia, a política e as ideologias são de todas ruins. Veja, por exemplo, o que disse o criador da ideologia anarquista:
Legal, não? Veja o que disse um socialista:
Top. Vamos a uma frase de uma religião de matriz africana:
O que me diz da frase desse hindu?
E a desse pastor Batista então?
O mundo não é só preto e branco, tem seus tons de cinza. E não estou me referindo ao livro de Erika Leonard James, que, para mim, não passa de uma apologia a violência domestica...
Mas voltando ao ponto. Não quebre princípios, mas reflita antes de agir, ou, reagir. Pense, ore e tome uma posição... Mas não fique omisso ou passivo.
Lembre-se que debater ideias não é brigar por ideologia. Discussões inúteis não levam a nada, evite-as.
Lembre-se, respeitar não é concordar. Você pode respeitar a opinião divergente de alguém sem concordar com ela.
Uma vez disseram: "Falta amor no mundo". Ao que responderam: "Não seja tolo. Não falta amor, falta amar". Acredito que seja isso.
Nessas eleições não somente acompanhe a onda, mas pegue sua "prancha" para poder se mover sobre ela.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Direitos iguais ou iguais direitos?
Recentemente li, em uma publicação, a fala do Superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, e coordenador do Programa Estadual Rio Sem Homofobia, Cláudio Nascimento, afirmando: “Não queremos privilégio, só queremos direitos iguais, nem mais e nem menos". Falando sobre a questão homoafetiva e o dia internacional contra a homofobia, celebrado no dia 17 de maio.
É bom lembrar que o casamento homoafetivo nos cartórios do Rio de Janeiro estão autorizados. No Dia Mundial de Combate à Homofobia – 17 de maio, o Desembargador Valmir de Oliveira Silva, Corregedor-Geral da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, publicou com data retroativa a 16 de maio de 2013, através do aviso da CGJ nº 632/2013, que os cartórios do Estado do Rio de Janeiro cumpram a decisão do Conselho Nacional de Justiça e realizem o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Dessa forma, não haverá mais a necessidade de enviar os pedidos para a avaliação do juiz. O desembargador já havia, em abril de 2013, aprovado a habilitação direta para o casamento civil homoafetivo no Estado, mas, na prática, a decisão ainda dependeria do juiz de cada comarca.
Agora o aviso altera o procedimento. O primeiro artigo do aviso da CGJ 632/2013 diz que "os processos de habilitação de casamento entre pessoas do mesmo sexo deverão observar o disposto no artigo 1526 e parágrafo único do Código Civil, sendo vedado aos senhores titulares, delegatários, responsáveis pelo expediente e interventores dos serviços extrajudiciais com atribuição de registro civil de pessoas naturais impugnar o pedido com único fundamento da identidade de sexo."
Então, na prática, já esta permitido o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Escandalize-se, mas eu acho ótimo.
Ótimo pois judicialmente falando os casais homoafetivos vão poder deixar seus bens para seus companheiros, ao invés de deixar com as famílias que, na maioria dos casos, rejeitaram essas pessoas por sua opção sexual ou identidade de gênero, mas aceitavam de bom grado seus bens em caso de falecimento, ficando os companheiros(as) sem direito a nada. Isso agora acabou...
Mas não se engane, continuo sendo contra a aprovação da PL 122/06.
Em recente atualização o senador Paulo Paim, acrescentou o seguinte texto no artigo 3° do projeto de lei:
"Art. 3º Constituem crimes de intolerância, quando praticado em razão de discriminação ou preconceito pela orientação sexual, identidade de gênero, idade, deficiência ou por outro motivo assemelhado, indicativo de ódio ou intolerância:
V – impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade, identidade de gênero ou orientação sexual em espaços públicos ou privados de uso coletivo, exceto em templos de qualquer culto, quando estas expressões e manifestações sejam permitidas às demais pessoas"
Leia Mais Em: http://www.plc122.com.br/plc122-paim/#ixzz2UE8mNQBn
O texto acima foi colocado recentemente por causa da pressão da bancada cristã (católica, evangélica e agregados) no senado. Pois, caso contrário, se a PL 122/06 realmente tivesse virado lei, antes desse acréscimo, um casal do mesmo sexo poderia querer se casar em uma igreja católica, por exemplo, e se o padre se recusa-se seria preso, com reclusão de um(01) a seis (06) anos. E isso quase aconteceu... A PL 122 quase vira lei, se essa revisão de texto...
As revisões ainda estão sendo feitas, mas o texto ainda força a sociedade a aceitar um padrão distinto.
As pessoas muitas vezes fazem confusão entre identidade de gênero e orientação sexual. A identidade de gênero, por sua vez, costuma ser menos compreendida. Ao passo que a orientação sexual se refere a outros, a quem nos relacionamos, a identidade de gênero faz referência a como nos reconhecemos dentro dos padrões de gênero estabelecidos socialmente.
Acredito que cada um tenha a escolha de ficar com quem quiser. E concordo que com as novas configurações familiares a família nuclear (pai/homem/ arrimo de família, mãe/mulher e filhos) tem sido sublimada, mas não aniquilada.
Cada um tem o direito de ser feliz da forma que quiser. Do meu ponto de vista, a questão não é de "certo ou errado" mas de "aceitar ou não ser aceito". Por lei os direitos dos homoafetivos já estão assegurados, a questão agora é de aceitar o modo de vida que estabeleceram como certo, culturalmente falando.
Odeio qualquer forma de preconceito e discriminação, seja de qual tipo for. Mas também não gosto de imposições. Cada um vive da forma que quiser, mas forçar que outros aceitem, não concordo.
A religião há muito tempo perdeu seu sentido etimológico de "religare", que significa "ligar a Deus". Vejo as religiões hoje como grilhões, que prendem os fiéis a liturgias e praticas de usos e costumes... E sim, coloco a religião evangélica no meio.
Quando me perguntam qual é a minha religião,se não tenho tempo para uma explanação mais ampla, simplesmente falo que sou cristão.
Um dos cernes das discussões de gênero no mundo, indubitavelmente, perpassa pela questão religiosa. Já falei disso em outros artigos aqui mesmo nesse blog e recomendo que possam ser lidos nos links abaixo:
Homossexualidade e intolerância
Polêmica: gay é o novo negro
Se algo é natural não precisa ser "aceito", e mesmo que seja "aceito" não significa que seja natural.
Nossa sociedade muda constantemente, mas acredito em certos valores como: amor, respeito e diálogo. Valores que tem se perdido tanto de um lado quanto de outro nessa questão chamada homoafetividade.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
João Paulo II e evangélicos do Brasil
EVANGÉLICOS SÃO SINISTROS
João Paulo II classificava assim atividade no Brasil
Sem revelar fontes, o documento obtido pelo WikiLeaks diz que o papa João Paulo 2º descreveu as atividades evangélicas como “sinistras.
Documento obtido pelo WikiLeaks e divulgados nesta quarta-feira (29) mostram que, na época da visita do papa Bento 16 ao Brasil, em 2007, o Vaticano estava preocupado com o crescimento dos evangélicos no país e recebeu críticas do monsenhor brasileiro Stefano Migliorelli, que questionou sobre a falta de padres na América Latina.
O telegrama enviado a Washington em 6 de maio de 2007 relata conversas entre diversos membros do Vaticano e o ex-embaixador americano Francis Rooney, um empresário republicano do ramo de construção e um dos maiores doadores de campanha do ex-presidente americano George W Bush.
O diplomata americano faz um comparativo entre a primeira viagem de João Paulo 2º ao Brasil em 1980, quando os católicos representavam 89% da população e o censo de 2000, quando o número de católicos era de 74%.
“A cada ano, milhões de católicos latino-americanos deixam suas igrejas para se juntar a congregações evangélicas incentivados pelos pastores destes novos rebanhos”, disse Rooney.
Ainda segundo ele, de acordo com uma análise, enquanto a Igreja Católica concentra-se em “salvar almas”, muitas igrejas evangélicas fazem o possível apenas para matar a sede latino-americana para o misticismo.
Sem revelar fontes, o documento diz que João Paulo 2º descreveu as atividades evangélicas como “sinistras” e que uma das principais tarefas de Bento 16 seria despertar a comunidade católica e encorajar a resistência ao que o papa anterior teria chamado de “caçada por seitas”.
Já Migliorelli, na época chefe da seção brasileira da Secretaria de Estado do Vaticano, reclamou ao diplomata americano sobre o fato de a América Latina não ser uma região prioritária para a Igreja Católica.
Para Migliorelli, o Brasil e a América Latina seriam como “território de missão” -- terras que não foram expostas “de maneira consistente” à fé católica. “Temos que ver isso como uma evangelização -- começando do zero”, disse Migliorelli.
O monsenhor ainda criticou a quantidade e a qualidade do clero latinoamericano.
“A falta de padres em grande parte da América Latina é muito pior do que nos Estados Unidos”, disse. Migliorelli disse também que “o nível de educação dos padres é muito baixo e que muitas vezes eles não aderem aos padrões de disciplina clerical (celibato, ofertas de sacramentos etc)”.
Em um tópico chamado de “A ameaça da teologia da libertação”, o diplomata americano comenta que o papa João Paulo 2º teria feito grandes esforços para acabar com “esta análise marxista da luta de classes” promovida “por um número significativo de clérigos e católicos leigos que, por vezes, em nome de um compromisso político sancionou a violência em nome do povo”.
Migliorelli comentou que o Vaticano não pretendia tocar no tema durante a visita do papa. O documento prossegue: “A chave é simplesmente que o clero seja treinado mais efetivamente para explicar a posição da Igreja para o povo, ele concluiu”.
Segundo o diplomata, João Paulo 2º combateu com a ajuda de Bento 16 a teologia da libertação mas, nos últimos anos, ela estaria ressurgindo em várias partes da América Latina.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
*STF reescreve Constituição

*Texto de William Douglas (Juiz Federal)
A decisão do STF, de ser comemorada e criticada, é apenas mais um round na luta irracional que se desenvolve entre religiosos e o movimento gay. O STF acertou na decisão, mas errou em sua abordagem. Ao invés de interpretar a Constituição, ousou reescrevê-la sem legitimidade para tanto. Mas, que razões levaram a Corte Suprema a isso? A imperdoável incapacidade dos contendores de agir de forma tolerante, democrática e respeitosa. A terrível
intenção, de ambos os lados, de forçar o outro a seguir seus postulados, em atentado contra a liberdade de escolha, opinião e crença.
Quem ler os relatos contidos em anais da constituinte verá que incluir o casamento gay na Constituição foi assunto derrotado nas votações. O STF mudar esse conceito e ignorar a decisão do constituinte originário é ativismo judicial da pior espécie, mas o STF tem suas razões: os religiosos, ao invés de negociar uma solução, se negam a mexer na Constituição.
O erro da intolerância, o movimento gay também comete ao tentar impor um novo conceito de casamento ao invés da aceitação da união civil estável homoafetiva, e mais ainda, ao defender um projeto de lei contra homofobia que desrespeita a liberdade de opinião e religiosa (PLC 122). Isso para não falar do "kit gay", uma apologia ofensiva e inaceitável para grande parcela da população. Não há santos aqui, só pecadores. Em ambos os lados.
Erram os religiosos ao querer impedir a união civil homossexual, calcando-se em suas crenças, as quais, evidentemente, não podem ser impostas à força. Mas erra também o movimento gay em querer enfiar goela abaixo da sociedade seus postulados particulares. Vivemos uma era de homofobia e teofobia, uma época de grupos discutindo não a liberdade, mas quem terá o privilégio de exercer a tirania.
Negar o direito dos gays é tirania dos religiosos. De modo idêntico, impor sua opinião aos religiosos, ou calá-los, ou segregá-los nas igrejas como se fossem guetos é tirania do movimento gay. Nesse diálogo de surdos, o STF foi forçado a decidir em face da incompetência do Congresso, dos religiosos e do movimento gay, pela incapacidade de se respeitar o direito alheio.
Anotemos os fatos. O STF existe para interpretar a Constituição, não para reescrevê-la. Onze pessoas, mesmo as mais sábias, não têm legitimidade para decidir em lugar dos representantes de 195 milhões de brasileiros. Os conceitos "redefinidos" pelo STF são uma violência contra a maioria da população. Nesse passo, basta ler o artigo Ulisses e o canto das sereias: sobre ativismos judiciais e os perigos da instauração de um terceiro turno da
constituinte, de Lênio Luiz Streck, Vicente de Paulo Barreto e Rafael Tomaz de Oliveira, disponível em meu blog (http://blogwilliamdouglas.blogspot.com/2011/05/ulisses-e-o-canto-das-sereias.html). O resumo: apenas Emenda à Constituição pode mudar esse tipo de entendimento. O problema: a maioria se recusa a discutir uma solução contemporizadora que respeite e englobe a todos.
O Supremo agiu bem em alertar sobre a incapacidade das partes de resolverem seus problemas no Congresso, mas errou em, ao invés de se limitar a assegurar direitos de casais discriminados, invadir o texto da Constituição para mudá-lo manu militari.
O STF não se limitou a garantir a extensão de direitos, mas quis reescrever a Constituição e modificar conceitos, invadindo atribuições do Poder Legislativo. Conceder aos casais homossexuais direitos análogos aos decorrentes da união estável é uma coisa, mas outra coisa é mudar conceito de termos consolidados, bem como inserir palavras na Constituição, o que pode parecer um detalhe aos olhos destreinados, mas é extremamente grave e sério em face do
respeito à nossa Carta Magna. “Casamento” e “união civil” não são mera questão de semântica, mas de princípios. Nem por boas razões o STF pode ignorar os princípios da maioria da população e inovar sem respaldo constitucional.
Enfrentar discriminações é louvável, mas agir com virulência contra os conceitos tradicionais, e, portanto, contra o Congresso e a maioria da população, diminui a segurança jurídica diante da legislação. A tradição existe por algum motivo e não deve ser mudada pelo voto de um pequeno grupo, mas pela consulta ao grande público ou através de seus representantes, eleitos para isso.
O art. 1.726 do Código Civil diz que uma união estável pode ser convertida em casamento mediante requerimento ao juiz. Ora, pelo que o STF decidiu, foi imposto, judicialmente, o casamento gay. Até os ativistas gays, os moderados, claro, consignam o cuidado de não se chamar de casamento a união civil.
Os ativistas não moderados, por sua vez, queriam exatamente isso: enfiar goela abaixo da maioria uma redefinição do conceito de casamento. Não se pode, nem se deve, impedir que um casal homossexual viva junto e tenha os direitos que um casal heterossexual tem, mas também não se pode impor um novo conceito que a maioria recusa.
Abriu-se, em uma decisão com intenção meritória, o precedente de o STF poder substituir totalmente o Congresso.
Salvo expressa determinação da Constituição para que o faça, quando o Congresso não legisla sobre um tema, isso significa que ele não quer fazê-lo, pois se quisesse o teria feito. Há um período de negociação, existem trâmites, existem protocolos. O STF não pode simplesmente legislar em seu lugar, tomar as rédeas do processo legislativo.
Mas, que o Congresso e as maiorias façam sua mea culpa em não levar adiante a solução para esse assunto. O STF deve proteger as minorias, mas não tem legitimidade para ir além da Constituição e profanar a vontade da maioria conforme cristalizada na Constituição. O que houve está muito perto de criar, pelas mãos do STF, uma ditadura das minorias, ou uma ditadura de juízes. O STF é o último intérprete da Constituição, e não o último a
maculá-la. Ou talvez o primeiro, se não abdicar de ignorar que algumas coisas só os representantes eleitos podem fazer.
Precisamos caminhar contra a homofobia e o preconceito. E também precisamos lembrar que cresce em nosso meio uma nova modalidade de preconceito e discriminação: a teofobia, a crençafobia e a fobia contra a opinião diferente – o que já vimos historicamente que não leva a bons resultados.
O PLC 122, em sua mais nova emenda, quer deixar ao movimento gay o direito de usar a mídia para defender seus postulados, mas nega igual direito aos religiosos. Ou seja, hoje, já se defende abertamente o desrespeito ao direito de opinião, de expressão e de liberdade religiosa. Isso é uma ditadura da minoria! Isso é, simplesmente, inverter a mão do preconceito, é querer criar guetos para os religiosos católicos, protestantes, judeus e
muçulmanos (e quase todas as outras religiões que ocupam o planeta) que consideram a homossexualidade um pecado.
Sendo ou não pecado, as pessoas têm o direito de seguir suas religiões e expressar suas opiniões a respeito de suas crenças.
E se o STF entender que o direito de opinião e expressão não é bem assim? Isso já é preocupante, porque o precedente acaba de ser aberto. E se o STF quiser, assim como adentrou em atribuições do Congresso, adentrar naquilo que cada religião deve ou não professar?
O fato é que as melhores decisões podem carregar consigo o vírus das maiores truculências. Boa em reconhecer a necessidade de retirar do limbo os casais homossexuais, a decisão errou na medida. Quanto ao mérito da questão, os religiosos e ativistas moderados deveriam retomar o comando a fim de que a sociedade brasileira possa conviver em harmonia dentro de nossa diversidade.
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Não conheco o autor do texto, suas crença ou opniões quanto a outros temas e assuntos. Mas tenho que admitir, esse é um dos textos mais equilibrados que li, até o momento, sobre a PLC 122/06.
Vale registrar que a religião perdeu o seu sentido etmológico original, de "ligar a Deus", e passou a ser uma instituição de meras regras e conceitos. O Cristianismo do primeiro século nem de logem lembra as atuais "religiões cristãs", incluindo protestantismo, catolicismo, espiritismo dentre outras.
Mas, como já disse em textos anteriores, é assegurado na constiuição a liberdade de crença e culto. E vemos nesses dias essa liberdade sendo ameaçada.
No entanto é importante lembrar que o periódo em que a cristandade mais se expandiu, foi durante o periódo de maior perseguição. Tudo na vida tem um próposito e um significado, inclusive as mudanças atuais.
Pense nisso...
domingo, 15 de agosto de 2010
*A Nova Reforma Protestante?
O cirurgião Irani Rosique (sentado, de camisa branca, com aBíblia aberta no colo). Sem cargo de clérigo, ele mobiliza 2.500 pessoas no interior de Rondônia.
Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.
Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.
Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.
Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade” (leia o quadro abaixo). Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.
Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, essemodelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”
Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”
Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”
“É lisonjeador saber que nos consideram ‘pensadores’. Mas o grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência. É de ética e honestidade” RICARDO AGRESTE, pastor da Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera, em Campinas, São Paulo.
Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”
Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”
No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis. Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.
“O que importa é buscar a essência do cristianismo, que acabou diluída porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas” MIGUEL UCHÔA, pastor anglicano (à esquerda na foto, ao lado do bispo Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife)
“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”
Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”
Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.
Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.
“As pessoas não querem mais dogmas, elas querem autenticidade. Minha postura é, juntos, buscarmos algumas respostas satisfatórias a nossas inquietações” ED RENÉ KIVITZ, pastor da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo.
O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”
A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”
Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. “O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica”, afirma.
Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.
O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”
A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”
Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”
O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis (lembre AQUI) condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.
Sites como Pavablog, Veshame Gospel, Irmãos.com, Púlpito Cristão, Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.
A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”
“O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar. É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia” VALTER RAVARA, “ecocapelão”, criador do Instituto Gênesis 1.28 e da Bíblia verde.
Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.
A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.
O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”
DA WEB ÀS RUAS – Blogueiros que organizam a Marcha pela ética, um movimento de protesto incrustado dentro da Marcha para Jesus, promovida pela Renascer.
A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.
Fonte: Revista Época
segunda-feira, 8 de março de 2010
Projeto de lei que regulamenta profissão de pastor*
TEÓLOGO: VOCAÇÃO OU PROFISSÃO?
Senado vota projeto de lei que regulamenta profissão de pastor
Sexta-feira, março 5, 2010
Por: Redação Creio
No final de 2009 uma audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) gerou muitas divergências sobre o PLS 114/05. Elaborado pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) o projeto defende a regulamentação da profissão de teólogo. Segundo o relator da matéria, senador Paulo Paim, o tema era muito explosivo e seria necessário debater o assunto em março em 2010.
Muitas pessoas encaminharam e-mail para Paim, pedindo para que a profissão não fosse regulamentada. A presidente da CAS, senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) concordou com a prorrogação do debate, já que outras muitas religiões precisam ser ouvidas e o assunto é bem complexo.
Participaram da audiência Darcy Cordeiro, vice-presidente do Conselho Interconfessional para o Ensino Religioso de Goiás (Ciergo); Isaías Lobão Pereira Jr., professor da Faculdade Evangélica de Brasília; João Batista Isaquiel Ferreira, presidente da Convenção Brasileira dos Ministros das Igrejas, Assembleias de Deus, Ministérios de Missões e Igrejas Filiadas (Cobramad) e Valmor da Silva, vice-presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica.
Darcy Cordeiro disse que é preciso distinguir melhor o bacharelado de licenciatura, além de discordar com o inciso III do artigo 1º, no qual são considerados teólogos aqueles que exercem a atividade há mais de cinco anos, mesmo sem ter diploma.
Isaías Lobão já defendeu o inciso III, argumentando que “teólogos sem formação acadêmica estão na labuta diária, mas não deixam de buscar a educação formal que lhes falta”. Já João Batista pediu que a tramitação do PLS seja urgente. Já Valmor da Silva disse que “é melhor definir o que é a profissão, senão, ao invés de beneficiar os teólogos pode prejudicá-los”. Valmor lembrou que a licenciatura em teologia não existe no Brasil e classificou os cursos livres que não são regulamentados como problemas. Valmor disse também que sem diploma não há maneira de exercer a profissão, “tem que ter preparo acadêmico”.
PLS 114/05
O Projeto de Lei do Senado (PLS) de número 114/05 elaborado por Marcelo Crivella, senador pelo partido PRB-RJ e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, regulamenta a profissão, até mesmo para aqueles que não são formados em teologia. Além disso, o texto de Crivella prevê a criação, pelo Poder Executivo, de um Conselho Nacional de Teólogos.
De acordo com as cláusulas do projeto, só poderá exercer a profissão e ser considerado teólogo aquele que tiver curso superior de teologia reconhecido pelo poder público; diplomado em curso superior similar no exterior, após revalidação do diploma no Brasil; e os que, embora não diplomados, estejam exercendo a atividade quando a lei for publicada. Enfim, para os que não têm formação superior em teologia basta praticar vida contemplativa, realizar ações sociais na comunidade ou estar há mais de cinco anos exercendo a atividade efetivamente para se declarar teólogo.
No Projeto de Lei, discrimina-se a função de um teólogo, que é de supervisionar, orientar, coordenar, planejar, elaborar, programar, implantar, dirigir, executar, analisar ou avaliar estudos, trabalhos, pesquisas, planos, programas e projetos atinentes à realidade científica da religião.
Acontece que esse projeto não foi incentivo somente do bispo e senador Marcelo Crivella, mas também do ex-deputado (PMDB-MT) e pastor da Assembleia de Deus Victorio Galli, que com o projeto de número 2.407/07 abre ainda mais o leque. Para Galli, teólogo é aquele que realiza liturgias, celebrações, cultos e ritos. Dirige e administra comunidades, pesquisa a doutrina religiosa, transmite ensinamentos religiosos, orienta pessoas, pratica a vida contemplativa e meditativa e preserva a tradição.
Se fosse seguir esse perfil, passaria de um milhão o número de pessoas entre padres, sacerdotes, obreiros, ministros e pastores de todas as religiões consideradas teólogos, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
OPOSIÇÃO A BANALIZAÇÃO
O presidente da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Soter), Afonso Ligorio Soares e o professor Paulo Fernandes de Andrade, representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), levaram suas objeções a Crivella, mas não conseguiram que ele desistisse do projeto. Afonso Soares acredita que os projetos, tanto o 114/05 quanto o 2.407/07 são invasivos e não adequados a constituição do país, que garante liberdade de escolha. “Os projetos são inconstitucionais, porque interferem na liberdade religiosa e na liberdade de a igreja se definir internamente, pois é ela que decide quem pode ser sacerdote ou pastor”.
Uma nota emitida em julho de 2008 pela Soter falava que os dois projetos feriam frontalmente a liberdade religiosa e o princípio constitucional de separação Igreja e Estado. Para a entidade, cabia às diferentes tradições religiosas, e não ao estado, definir quem é, em cada uma delas, Teólogo e Teóloga.
O presidente da Soter, Afonso Ligorio Soares, afirma que o teólogo presta, antes de mais nada, um serviço interno à comunidade a que pertence. E, só em um segundo momento, atua como porta-voz e intérprete das perspectivas da sua religião para a sociedade em geral. “Não cabe ao estado dizer quem é o porta-voz de uma igreja”, afirma Soares.
O pastor presbiteriano Fernando Bortoletto Filho, diretor-executivo da Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, que tem 40 filiados de diferentes denominações, disse ter ficado perplexo com a generalização do conceito de teólogo. “As escolas formam bacharéis em Teologia que não são considerados teólogos. Merece esse título quem tem produção científica própria, a ponto de se tornar referência por seu pensamento”, define Bortoletto, citando como exemplo o católico Leonardo Boff. “Há professores de Teologia que não são teólogos”, acrescentou.
O diretor do Seminário Presbiteriano de São Paulo, reverendo Gerson Lacerda, concorda. “Fiz curso de Teologia, mas não sou teólogo”, diz. Lacerda preocupa-se também com a criação de conselhos ou ordens de teólogos. “Não me filiei a nenhum deles, nem vejo necessidade.”
A FAVOR
Para o padre Márcio Fabri, professor da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da Arquidiocese de São Paulo e ex-presidente da Soter, o teólogo exerce um serviço confessional que é interno às comunidades, às quais cabe regulá-lo.
Os projetos receberam parecer favorável do senador Magno Malta (PR-ES), pastor da Igreja Batista.
“Acima de qualquer outra profissão, a profissão de fé exige muito mais de vocação e devoção do que de formação acadêmica”, afirmou Crivella. “Contudo, creio que seja útil, embora não indispensável, uma formação em Teologia.” Questionado sobre sua formação, o senador Crivella respondeu que ela ocorreu “na prática”. “Professo o evangelismo desde os meus 14 anos de idade e, a par do ministério que exerci no Brasil, também atuei como missionário por quase dez anos na África. Assim, a minha formação decorre de uma longa experiência de convívio com Deus e a Sua Palavra.”
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*Com reportagem da Agência Senado e Estadão. Fonte: Site Creio


























