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quarta-feira, 1 de julho de 2015
O preço da escolha
Tenho diversos títulos, acadêmicos e eclésiasticos. Sou doutor honoris causa em Teologia e Fiosofia, por exemplo. Mas continuo escrevendo uma tese para um doutorado livre em história do cristianismo, o assunto é a homoafetividade dentro do ensino religioso, embora o título não seja esse. Converso com diversas pessoas, considero meus orientadores Walter Cristie Silva Aguiar (formal, com normativas e conceitos protestantes/poíticos) e Luiza Cassemiro (informal, com vivências experiência e militância na causa LGBT e questões de gênero). Me considero afortunado por ter duas mentes acadêmicas desse porte com quem posso trocar idéias.
Sou a favor dos direitos CIVIS dos homoafetivos, desde que não firam os direitos civis de outros grupos da sociedade. Sou a favor do estado laico, lembrando que este não é sinonimo de ateu, mas de respeito a todas as religiões e credos, incluindo a ausência de crença em religiões.
Pois bem. Eu tinha uma opinião formada, e vivia falando que "respeitar não é concordar" entre outras coisas. Isso mudou no dia 26 de junho de 2015. O Supremo Tribunal dos EUA, esse tribunal, que no início era totalmente evangélico (uma religião que tenho aversão em seu sentido atual), hoje tem no total 9 juízes, dos quais seis são católicos e três judeus. Os evangélicos foram extintos do Supremo Tribunal dos EUA. E agora, com a atual configuração, o que esse tribunal produziu foi o “Casamento” gay.
O que aconteceu nos EUA no dia 26 de junho de 2015 foi diferente do que aconteceu no Brasil em 17 de maio de 2013. Aqui foi aprovada a UNIÃO CIVIL entre pessoas do mesmo sexo, o que achei, e continuo achando, ótimo. Pois já vi casos de familiares expulsarem filhos de casa por se assumirem como homossexuais, e estes conseguirem prosperar financeiramente sem o apoio familiar e com seus companheiros de relacionamento. Quando esse filho morre, antes, a "família", por lei, podia ficar com os bens, ao meu ver, um absurdo uma vez que os laços forma rompidos. a UNIÃO CIVIL mudou isso. Em nada isso muda em aspectos religiosos, por exemplo.
Não foi o que aconteceu nos EUA. Aqui, na teoria, Estado e Religião estão separados, sim, eu sei que na prática a coisa não é bem por aí... No entanto, nos EUA, o Estado e a Religião são uma coisa só, inculindo o que esta escrito na carta Magma de toda nação, a constituição.
Nos EUA todo líder religioso (independente do credo) devidamete registrado e ordenado por uma instituição cadastrada no Estado pode celebrar um união religiosa reconhecida pelo Estado. Quem nunca viu, por exemplo, os casamentos de uma noite feitos em Las Vegas. A igreja de Elvis, como quaquer outra religião, pode fazer um casamento lá e este ser reconhecido pelo Estado.
Não se engane. Desde a última sexta-feira o mundo mudou.
Antes um ministro eclésiastico nos EUA podia aceitar ou recusar realizar um casamento entre pessoas do mesmo sexo com base na sua regra de fé. Hoje TODOS os credos religiosos naquele país precisam realizar essa união, se assim forem requisitados.
As repercussões no protestantismo já começou, confira o link ao lado: Juiz Cristão pede demissão - Eu fico imaginando as repercussões com os mulçumanos, católicos e outros credos com sede nos EUA. Temo pelo pior...
Uma pequena pausa nessa linha de pensamento. Não me considero socialista( apesar de gostar mais da ideologia socialista), mas concordo com István Mészáros que estamos na época de escolher entre a bárbarie e sua opositora. Mészáros sustenta que, sob o sistema sociometabólico do capital, a educação, por exemplo, tem o sentido de internalização dos parâmetros reprodutivos gerais do sistema. Uma contestação à educação, por afetar diretamente os próprios processos de internalização ideológica, representa, portanto, uma profunda contestação à estrutura social em questão. Se as determinações gerais da reprodução da vida afetam profundamente cada esfera da existência humana, uma transformação social radical só pode de fato acontecer com uma efetiva contribuição da educação, entendida em seu sentido mais amplo.
Foi o que aconteceu nos EUA. O Estatus Quo mudou, e as repercussões já começaram... 26 milhões de pessoas em todo o mundo "coloriram" seus perfis no facebook, por exemplo, concordando com essa mudança. Mark Zuckerberg foi maestral, não por seu apoio a causa, mas por saber se aproveitar dela agora ela sabe exatamente para quem mandar publicidade pró-homoafetivo e para quem não, e ssim conseguir lucrar de ambos os lados. Bravo Mark, uma prova de que o capitalismo não se importa com questões de gênero, alias, se importa sim, quem vai dar mais dinheiro de retorno. Adimiro pessoas como a Luiza, e outros, que se "coloriam" há anos, com militância séria e defendendo uma causa. E tenho aversão aos que se "coloriram" por que "todo mundo" se coloriu, massa de manobra. Posso não concordar com a causa, mas admiro a paixão em defende-la.
Continuo acreditando que O Amor e o respeito são a solução para os probemas do mundo. Não vou colocar aqui versículos bíblicos, apesar de não considerar errado quem o faz para defender uma crença e/ou ideia. Não o faço pois homens de bem como Martin Luther King usaram as escrituras para libertar e mudar uma nação, e homens como Adolf Hitler usaram as mesmas escrituras para aprisionar e segregar uma nação.
Antigamente eu achava expressões como "cristófobia", "orgulho hétero", e outras do genêro, de uma ignorância e preconceito sem tamanho. Mas desde 26 de junho de 2015 não acho mais. O mundo mudou... O exemplos estão aí, não só no mundo onde milhares de cristãos são mortos por sua crença, mas no Brasil também existe persiguição. Confira o link:
Família evangélica espancada por causa da fé
Isso não quer dizer que os homoafetivos não estão sedo mortos por serem quem são, estão. Os crimes de homofobia existem e o preconceito contra eles também. Se os homoafetivos, podem ostentar o orgulho de ser gay, os hetéros, por mais ridículo que seja para mim, podem mostrar o orgulho de ser o que são também. O mesmo vale para religião.
Gostei, por exemplo, da atitude desse padre e desse pastor, no dia seguinte da aprovação nos EUA.
Mas sei que muitos católicos e evangélicos desprovam a ação, não esperaria menos de religiosos que usam a bíblia para condenar alguns pecados e esquecerem dos seus próprios. Diante de Deus pecado é pecado, independente de qual seja, e a condição é a mesma, pecador.
Não, não vou usar as escrituras. Eu acredito que cada individuo tem uma porção do Eterno dentro de si. Infelizmente, essa porção foi separada da Fonte. É uma questão de escolha de cada individuo, através do uso do seu livre arbítrio, decidir voltar a se unir a fonte, ou não. Muitos querem ser chamados de filhos, mas não querem obedecer o Pai.
Você é fruto das suas escolhas. Existe um destino, mas é sua decisão segui-lo, ou não.
Sim, eu escolho O Amor, mas não confunda com amor. Sim, eu escolho o respeito, mas respeito é uma ação mútua.
Aos cristãos, independente da linha religiosa, digo: "Primeiro a bíblia, depois, talvez, a sua opinião. Lembre-se do exemplo de Jesus Cristo".
Aos não cristãos, independente da ideologia, digo: "Como disse Evelyn Beatrice Hall, pseudônimo S. G. Tallentyre: 'Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo'. Lembre-se dos ideais da revolução francesa: Igualdade, Fraternidade e Liberdade".
Sim, eu também achava que a frase era de Voltaire, mas não é. Veja o link abaixo:
Falsa citação de Voltaire
Mas a frase continua sendo poderosa para dizer aos nãos cristãos.
Não sou ninguém para dar lição de moral em ninguém, não é essa minha intenção, e peço perdão se parece para alguém que tenho a intenção de faze-lo. Sou apenas um homem, pai, intercessor, acadêmico e pensador que pretende sempre expor o que considera correto, ainda que para muitos não o seja.
Desejo a todos que a Luz sempre brilhe para você e, quem sabe, em você. Seja feliz, e esteja disposto a pagar o preço da sua felicidade.
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sexta-feira, 26 de junho de 2015
O amor venceu?
"O amor venceu", com essa frase o presidente norte-americano Barack Obama compartilhou hoje a noticia em uma das suas redes sociais sobre a decisão da Suprema Corte estunidense de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país.
Dessa vez os irmãos do norte ficaram atrasados, no Brasil, por exemplo, desde de 17 de maio de 2013 isso já é possível. Não sabia? Eu escrevi a respeito disso na época, acesse o artigo no link abaixo:
Segundo alguns sites de informação, cinco dos nove membros da corte americana determinaram que o direito de se casar é garantido pela 14ª emenda da constituição do país, que engloba todos os cidadãos sem distinção.
O americano de Ohio, Jim Obergefell, de 48 anos, foi o parceiro de John Arthur por 21 anos. Após terem se conhecido em 1992, construíram uma vida juntos durante duas décadas em Cincinnati, cidade que já chegou a ser eleita a mais "antigay" do país. Ao longo da maior parte de sua união, não achavam que iriam poder se casar, por serem homossexuais. Em 2013,Arthur, que havia sido diagnosticado dois anos antes com esclerose lateral amiotrófica (ELA), decidiu viajar para Maryland, estado onde o casamento gay era permitido.
Para isso, arrecadaram US$ 13 mil com familiares e amigos e alugaram um jato com equipe médica. Em 11 de julho de 2013, Obergefell e Arthur trocaram votos em uma cerimônia de cerca de dez minutos. No retorno para casa, entraram com uma ação para que a união fosse reconhecida na certidão de óbito quando Arthur morresse. Depois da decisão favorável de um juiz federal, o Estado de Ohio recorreu, e o caso chegou à Suprema Corte. Em outubro do mesmo ano, aos 47 anos, Arthur morreu, e Obergefell se tornou um dos principais personagens no debate.
O caso de Obergefell vs. Hodges (chefe do Departamento de Saúde do Estado de Ohio) é uma consolidação de casos em Kentucky, Michigan, Ohio e no Tennessee. Porque a ação de Obergefell tinha o menor número, os demais casos foram agrupados sob seu nome, por tradição da Suprema Corte. Ou seja, ele acabou se tornando o principal nome porque o número do seu caso era 14-556, não 14-562, 14-571 ou 14-574.
Com isso vejo que o mundo esta mudando, novos conceitos estão surgindo...


O que eu penso sobre isso?
Sim, sou dogmático. Com raízes fortes em uma crença monoteísta milenar. O assunto da questão homoafetiva é sério, mas para muitos virou motivo de piada.

Recentemente no Brasil a questão da "cura gay" voltou a ser pauta na câmara, falei sobre isso e um artigo interessante, acesse o link abaixo:
Muitos perguntam: mas o que você acha da união CÍVIL entre pessoas do mesmo sexo? O mesmo que penso da união CÍVIL entre pessoas de sexo diferentes. Por exemplo...
O que QUALQUER pessoa faz entre quatro paredes é problema delas, e que cada um arque com as consequências de seus atos, pois eles existem...
Precisamos perceber algumas diferenças de conceitos.
Não concordo com a ideologia de gênero. Acredito que é necessário a discussão sobre gênero e sexualidade nas escolas, faculdades e outros espaços de debates, para mostra e respeitar diferenças. Mas obrigar a aceitação de uma ideologia não é ensino é doutrinação. Mas isso é assunto para outro artigo...
Posso não gostar, por exemplo, dessa ideologia, como não gosto do aquecimento global. Mas o fato é, ele existe. O que aconteceu nos EUA é apenas um reflexo do que tem acontecido no mundo, existem novos rearranjos dos grupamentos humanos, novas configurações familiares, novas formas de relacionamento etc...
Conceitos religiosos e científicos são limitados para definir o que acontece no século XXI. É preciso pedir ajuda do Alto, mas também ser mais respeitoso e tolerante no baixo. Lembrando que respeitar não aceitar e tolerar não é desculpa para maltratar. Sempre digo: Não confunda O Amor com amor.
O amor venceu? Acredito que o aspecto considerado pelos homoafetivos, e simpatizntes, sim. Que os direitos cívis sejam assegurados, mas que o direito de uns não sublimem os direitos de outros.
Que cada um possa viver a sua vida, e as consequências dela.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Educação sexual - a questão da homoafetividade na educação
O sexo é definido biologicamente. Nascemos machos ou fêmeas, de acordo com a informação genética levada pelo espermatozoide ao óvulo. Já a sexualidade está relacionada às pessoas por quem nos sentimos atraídos. E o gênero está ligado a características atribuidas socialmente a cada sexo.
O que se sabe hoje em dia é que o dualismo heterossexual/homossexual não é capaz de abarcar as formas de desejo humanas. Os estudos sobre o tema dizem que a orientação sexual se distribui num amplo espectro entre esses dois pólos. Segundo estudos, é provável que a definição sexual se dê pela interação entre fatores biológicos (predisposição genética, níveis hormonais) e ambientais (experiências ao longo da vida). Mas não há certezas. O guia Sexual Orientation, Homossexuality and Bissexuality, da Associação Americana de Psicologia, resume: "Não foram feitas, por enquanto, descobertas conclusivas sobre a determinação da sexualidade por qualquer fator em particular. O tempo de emergência, reconhecimento e expressão da orientação sexual varia entre os indivíduos".
É surpreendente notar como determinados comportamentos são mais aceitos em uma fase da história e reprimidos na seguinte. Os moradores da Grécia Antiga, por exemplo, se relacionavam com pessoas de ambos os sexos. Já na Idade Média, comportamentos que se desviassem da norma socialmente definida eram punidos com a fogueira. Hoje, não há mais chamas, mas o sofrimento assume a forma de piadas, humilhações, agressões físicas e psicológicas, exclusão. Por que ainda agimos assim? Como se construiu uma sociedade que se choca e entra em pânico ao ver um menino se vestindo de menina ou vice-versa?
A resposta está no conceito de gênero. Ele diz respeito ao que se atribui como características típicas dos sexos masculino e feminino.
Por exemplo: Meninas precisam sentar-se de pernas fechadas, meninos podem abri-las. Meninos não podem chorar, meninas são mais sensíveis. Meninos gostam de azul, meninas preferem o rosa. Enfim, uma série de aspectos que, com o tempo, ganham força e se convertem em regras. Tudo isso são padrões ensinados.
Diversas instâncias atuam para que essas normas sejam transmitidas dos mais velhos aos mais jovens: a família, os grupos de amigos, as religiões - e, claro, as escolas. No caso do gênero, a associação com elementos preexistentes, como tradições culturais, preceitos religiosos e costumes familiares, vai definindo quais elementos pertencem ao universo masculino ou ao feminino. Por exemplo: ao provar do fruto proibido e convencer Adão a também comê-lo, Eva teria mostrado o lado irracional e sentimental da mulher. Por isso, sedimentou-se a ideia de que ela deveria estar submissa ao homem - naturalmente, um ser racional e cerebral, como explica a pesquisadora Clarisse Ismério no artigo Construções e Representações do Universo Feminino (1920-1945). Mais exemplos: a associação de carros e motos como "coisa de macho" foi herdada da ideia vigente até o início do século 20 de que o espaço público deveria ser ocupado pelos homens, enquanto as mulheres deveriam se dedicar à vida doméstica, como faziam suas mães. Já a atribuição das cores rosa e azul, respectivamente, a meninas e meninos... Bem, essa aí parece não ter justificativa. Nenhuma surpresa: a investigação sócio-histórica revela que na gênese de muitos hábitos, costumes e regras impera a mais pura arbitrariedade.
Tudo isso se complica em razão de outra característica da mentalidade moderna: a tendência de pensar por oposições. Segundo o filósofo francês Jacques Derrida (1930-2004), a lógica ocidental opera por meio de binarismos: feio/belo, puro/impuro, espírito/corpo etc. Um conceito maniqueísta.
A filosofia proposta pelo persa Mani, no século III da era cristã, sincretizava idéias do zoroastrismo, hinduismo, budismo, judaismo e, claro, do récem formada religião do estado romano, o catoliscismo. Um dos pais da igreja cristã, Agostotinho de Hipona, abraçou essa filosofia e com isso deimitou o caminho que muitas religiões oriundas do cristianismo seguiriam.
Com isso a sociedade ocidental moderna cresceu e floresceu dualista, um termo é sempre considerado superior, e o oposto seu subordinado. Assim, o homem heterossexual conquistou o lugar de maior prestígio na sociedade. Um degrau abaixo, a mulher. E na penumbra, os que não se encaixam no esquema binário: lésbicas, bissexuais, travestis, homofetivos em geral...
Até meados do século 20, esse discurso circulou quase sem contestações. A partir dos anos 1950, movimentos feministas, guiados pelos estudos da filósofa francesa Simone de Beauvoir (1908-1986), engrossados na década seguinte pelos hippies e outros levantes da contracultura, começaram a colocar em xeque os papéis atribuídos às mulheres na sociedade, no trabalho e na família. Seguiram-se a eles as lutas pelos direitos de homens homoafetivos (sim, esse é um termo acadêmico existente), lésbicas, travestis, transexuais e assim por diante entre 1970 e os anos 2000. Atualmente, correntes contestatórias ampliam as possibilidades identitárias, defendendo que há muitos jeitos de ser homem e mulher.
Você deve estar se perguntando: onde a escola entra nessa discussão? Pois bem...
Para que a escola respeite a diversidade, as formações de professores precisam abordar o assunto. É o melhor caminho para disseminar o que as pesquisas já descobriram sobre a construção dos gêneros e sua relação com o sexo e a sexualidade. Mas as iniciativas sofrem forte resistência. O caso mais notório aconteceu em 2011. Como parte do programa Brasil sem Homofobia, especialistas produziram para o governo federal cadernos com conteúdo pedagógico que colocavam o tema em discussão.
A intenção era que o material fosse distribuído a escolas de todo o país. Antes da impressão, entretanto, congressistas ligados a entidades religiosas se opuseram ao projeto. Apelidado de "kit gay", o conteúdo foi acusado de estimular "a promiscuidade e o homossexualismo" - termo em desuso por remeter a doença (hoje, fala-se em homossexualidade). A União cedeu às pressões e vetou a circulação dos cadernos. Oficialmente, não há perspectivas para que esse material saia do armário.
Leia o material no link abixo e tire suas conclusões:
Kit Gay - material vetado pelo governo federal
Eu, pessoalmente, tenho um posicionamento com relação a homoafetividade e suas ramificações, mas, independente dela, é inegável o fato que precisamos debater a questão dentro do universo da educação.
Um dia, Marlene Dietrich decidiu sair publicamente usando calças, a sociedade da época a atacou... Isso foi feito em 1920, após 95 anos, as mulheres continuam sendo mulheres... e usando calças.
Acredito que estamos diante de um novo impasse, e não me considerem um militante pró-gay, não o sou, mas sou, e sempre serei, um militante pró-respeito e diversidade.
Observe o quadro abaixo:
Essa é uma realidade, independente do seu posicionamento com relação a homoafeitividade a questão é que ela existe, tão real quanto a heteroafetividade, é precisa ser debatida no ambiente educacional tanto quanto a última.
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domingo, 23 de fevereiro de 2014
Dois homens se beijaram. E daí?
Em uma entrevista recente Walcyr Carrasco disse:
"Brinco muito que o movimento LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais e travestis) busca cada vez mais a família, o casamento". Fonte: Entrevista Walcyr Carrasco
É verdade buscam mesmo. Bom... antes de mais nada vamos esclarecer algumas coisas:
1- A novela "Amor a Vida" foi a primeira a mostrar um beijo entre pessoas do mesmo sexo na rede aberta brasileira.
MENTIRA: A extinta TV Manchete já havia feito isso na mini série "Mãe de Santo" em 1990. Confira abaixo:
Bem na verdade, se falarmos entre o beijo entre duas mulheres, em 1963 Vida Alves e Geórgia Gomide deram o primeiro beijo feminino no teleteatro "A Calunia". E quer saber? Não causou nenhuma "comoção" na sociedade da época.
Mas não é de agora que a mídia brasileira vem tratando da questão homoafetiva, veja uma linha do tempo interessante no link abaixo:
Quer saber outro fato interessante? O beijo da novela "Amor a Vida" nem foi o primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo da própria rede Globo. O Jornal nacional mostrou um beijo em 2011 (isso mesmo no Jornal) e além disso, Fábio Assunção e Vladmir Brichta, em julho de 2013, já haviam se beijado na comédia "Tapas e Beijos".
Alguns podem estar pensando: "Esta por dentro, hêin..." (rsrs). Estou mesmo, no bom sentido da coisa (rsrs)...
Não vejo Globo há mais de 04 anos mas, como bom discípulo de Heródoto (considerado o pai da História), fiz algumas pesquisas.
2- Não existe homofobia no Brasil
MENTIRA: existe sim. Estou fazendo uma pesquisa para minha tese de mestrado, descobri que no Brasil a cada 28 horas acontece uma morte LGBT motivada pela homofobia ( Fonte: Brasil Post ). Isso dos casos que são denunciados, acredito que esse número pode ser bem maior...
3- Todo homossexual é do "mal" e promíscuo
MENTIRA: Existem muitos casais homoafetivos que prezam alguns princípios cristãos e tem uma relação monogâmica, alguns mais fiéis do que muitos casais héteros.
Eu poderia ficar pontuando várias coisas aqui, mas vou parar nesses pontos. E explanar meu ponto de vista.
Já escrevi vários textos sobre a questão homoafetiva no blog, os que acho mais interessantes estão nos links abaixo:
Neles tem links para outros textos dessa mesma temática, vale a pena ler.
Preciso afirmar uma coisa, não tenho nada contra os homossexuais/homoafetivos, mas admito meu preconceito e falo que tenho dificuldade em aceitar a homossexualidade/homoafetividade.
Mas preciso falar que, na minha humilde opinião, existem outras prioridades do que ficar comentando quem beijou quem.
O que me levou a escrever esse texto foi que, apesar de não ter visto a novela e o dito beijo em "Amor a Vida", no dia seguinte do beijo entre os personagens Felix e Niko, fiz um comentário em uma das minha redes sociais e qual foi minha surpresa ao ver um comentário de uma pessoa ao dizer que eu tinha sido o único líder eclesiástico que ela conhecia que se manifestou sobre o assunto, e estou falando de uma pessoa que conhece e acompanha muitos desses líderes, dentre eles o humilde autor dessas linhas... Fiquei perplexo...
Como disse, não tenho problema nenhum com os homoafetivos, mas tenho sim opinião contrária a seu estilo de vida e modelo familiar. Como acredito que muitas pessoas, hétero ou homossexual, tenham opiniões divergentes da minha. É preciso expor essas opiniões, entender e dialogar... Nem sempre haverá aceitação, mas acredito que é necessário que haja respeito, respeitar não é concordar...
Vivemos em um mundo novo meus nobres... Um mundo onde crianças sabem navegar na internet antes de aprenderem a amarrar seus sapatos.
Uma vez, dialogando com uma pessoa que defende os direitos do grupo LGBT me disse que: "um heterossexual nunca se assumirá homossexual". Eu discordei, e discordo veementemente.
Somos ensinados a sermos heterossexuais e hoje, você goste ou não, a sociedade esta ensinando a ser homossexual. Podemos ficar discutindo "horas" sobre a questão de identidade de gênero e orientação sexual, mas o fato é: a sociedade mudou.
Pessoas do mesmo sexo se beijaram. E daí?
Algumas pessoas podem perguntar: "Mas você concorda com isso?". Eu respondo: "Não. Mas se é isso que as deixa feliz, que o façam. E encararem as consequências".
Sempre digo: "eu não tenho inimigos, os inimigos me tem", e sem trocadilhos, por favor (rsrs). Mas é uma verdade.
Um exemplo, Jesus Cristo veio a essa Terra e única coisa que fez foi fazer bem aos outros, e ainda assim muitos não gostaram dele a ponto de o matar. Cristo nunca teve medo de expor suas opiniões, mesmo aquelas que contradiziam a sociedade vigente, Ele sempre dialogou com todos, concordou com poucos, influenciou a muitos para a mudança e seguiu convicto com seus princípios. Gosto desse exemplo, e procuro segui-Lo.
Não abra mão de seus princípios e convicções, se você achar necessário mudar, mude, e solidifique-se novamente.
Gosto muito de um conto medieval, cuja autoria não conheço e descrevo a seguir:
O Monge e Cavaleiro
Andavam por um caminho um monge e um cavaleiro, os dois viajam juntos enquanto a chuva lhes escorria pelas faces.
Enfadado da longa viajem, e a fim de passar o tempo, o cavaleiro quebra o silêncio e fala: "Você leva uma vida de pobreza, sem jamais conhecer o toque de uma mulher, privando-se de todas as formas de deleite... Tudo por que acredita que exista um Deus. Eu não partilho de sua fé. Por isso, faço tudo o que bem quero e quando quero, tirando proveito de qualquer oportunidade. Desrespeitei todas as leis criadas pelos homens e seu Deus, através da igreja, e não temo as consequências. Eu não acredito no seu Deus.
Minha pergunta, no entanto, é a seguinte... E se a vida terminar no solo? E se o homem não for nada mais do que carne para os vermes?
Você terá passado a sua vida inteira se privando por nada. E se você morrer e descobrir que Deus não existe?"
O monge pensou a respeito e deu de ombros respondendo: "Nesse caso, suponho, vou ficar triste. Mas diga-me senhor... O que acontecerá se você morrer e descobrir que Ele existe?"
Acredito que é por aí...
Que cada um viva a sua vida, e as consequências dela.
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013
PLC 122 - O fim de um novo começo
2013 foi um ano interessante para os homoafetivos, seus simpatizantes e opositores.
Escrevi sobre isso em alguns artigos esse ano, se quiser ler, ou reler, é só clicar nos links abaixo:
Direitos iguais ou iguais direitos
Cura gay - como curar o que não é doença?
Mas em dezembro aconteceu um fato curioso...
Ironicamente, no dia 17 de dezembro foi aprovado o apesamento da Projeto de Lei Constitucional 122 para a reforma do código penal. Digo ironicamente, pois, no dia 17 de maio deste ano foi aprovado o reconhecimento do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. É muita "coincidência" que precisos 7 meses depois aconteça esse fato com a PLC 122.
Não quero aqui chover no molhado... Se quiser saber mais da minha opinião sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo leia o texto "Direitos iguais ou iguais direitos acima", você vai se supreender...
Apesar das manifestações "educadas" do nobre deputado Jean Wyllys, que, é claro, após a repercussão negativade seus comentários ele os retirou das suas redes sociais...
A PLC 122, foi sepultada. Será?
Em outra rede social o nobre deputado afirmou de forma categórica:
A questão agora é jurídica, onde acredito que é seu lugar.
Em duas cidades da minha região aconteceram pela primeira vez a Marcha LGBT, em Barra Mansa e Volta Redonda. É curioso pensar que após esse fato houve essa reviravolta toda. Não acredito em coincidências, mas deixo a conclusão para você, nobre leitor dessas linhas.
Sou totalmente contra a violência aos homoafetivos, e qualquer pessoa (se é que posso chama-los assim) que agrida de forma verbal ou fisica alguém em pleno século XXI por causa de identidade de gênero e/ou orientação sexual deve sim sentir os rigores da lei.
Você sabia, por exemplo, que 44% dos crimes de homofobia denunciados no mundo ocorreram no Brasil ano passado? A homofobia existe, e ela mata. Veja no link abaixo:
Homofobia mata
Por isso digo que os rigores da lei precisam ser aplicados nesse caso.
Odeio todo e qualquer tipo de discriminação e preconceito. Seja ele de gênero, identidade, religião ou étinia.
Mas veja, existe preconceito e discriminação dos dois lados.
Existem idiotas religiosos, como existes ativistas gays idiotas. Assim como existem bons cristãos, e bons defensores dos direitos humanos.
Sempre digo que falta mais respeito em nossa sociedade atual.
A palavra respeito vem do latim "respectus", que significa atenção ou consideração. Gosto deste significado mais do que o atual significado dado pela língua portuguesa.
O dia que aprendermos a dar atenção ou consideração a alguém, mesmo que tenhamos discordâncias, seremos melhores.
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quarta-feira, 19 de junho de 2013
Cura Gay? Como curar o que não é doença.
Muito se tem falado sobre o projeto apelidado pela mídia de "cura gay"....
Que fique claro, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1990, retirou o termo "homossexualidade" do rol de doenças ou transtornos. Esse é um dos argumentos usados por parlamentares que são contra o projeto, que foi apresentado há dois anos e que chegou a ter a votação adiada cinco vezes na Comissão de Direitos Humanos.
Mas, como disse o filósofo, "vamos raciocinar juntos"....
O projeto aprovado em primeira estância(ainda falta uma), na prática, permite que psicólogos proponham tratamento da "homossexualidade, derrubando assim, normas do Conselho Federal de Psicologia, que proíbem que profissionais tratem a homossexualidade como doença.
Como aprendi como minha professora Rache Soihet, um dos maiores nome do Brasil na questão de gênero e história das mulheres, a grande questão hoje é sobre identidade de gênero e orientação sexual. A identidade de gênero, por sua vez, costuma ser menos compreendida. Ao passo que a orientação sexual se refere a outros, a quem nos relacionamos, a identidade de gênero faz referência a como nos reconhecemos dentro dos padrões de gênero estabelecidos socialmente.
Em um de seus livros ela afirma "(...), tornou-se nítido que há que se empenhar pela equiparação em termos de classe, gênero, raça e etnia, geração etc. como ideal a ser atingido em uma sociedade, sem o que a
igualdade é uma falácia". (Revista de História,3,1, 2011). Assim, como héteros tem o direito de assumirem homoafetivos, porque negar o direito de homoafetivos de se assumirem héteros, se assim o quiserem? E negar a eles ferramentas para isso? A questão não é "ser doença ou não", pois já sabemos que não é, mas de identidade e gênero. E isso é um direito de via de mão dupla.
Antes que me perguntem, não sou a favor dos argumentos utilizados por Marco Feliciano, Bolsonaro, Anderson Ferreira e do deputado João Campos, autor do projeto e que, alias, este último, é a favor da redução da maioridade penal.
Acredito que a intolerância deva ser combatida em todas as suas formas, pois esta faltando respeito e diálogo no que tange as questões da homoafetividade e religião na nossa sociedade . E antes que façam determinações já digo, não sou a favor da prática homoafetiva/homossexual, mas respeito que segue essa orientação e/ou assuma essa identidade. Até mesmo porque, não precisam de minha aprovação/desaprovação para isso.
Volto a afirmar, assim, como héteros tem o direito de se assumirem homoafetivos, porque negar o direito de homoafetivos de se assumirem héteros, se assim o quiserem? E negar a eles ferramentas para isso? A questão não é "ser doença ou não", pois já sabemos que não é, mas de identidade e gênero. E isso é um direito de via de mão dupla.
A homossexualidade não é uma doença e, portanto, não é contagiosa. O nosso preconceito sim, esse é contagioso e destrói.
Escrevo mais sobre a questão homoafetiva nos links abaixo:
Direitos iguais ou iguais direitos
Homossexualidade e intolerância
Polêmica: gay é o novo negro
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Direitos iguais ou iguais direitos?
Recentemente li, em uma publicação, a fala do Superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, e coordenador do Programa Estadual Rio Sem Homofobia, Cláudio Nascimento, afirmando: “Não queremos privilégio, só queremos direitos iguais, nem mais e nem menos". Falando sobre a questão homoafetiva e o dia internacional contra a homofobia, celebrado no dia 17 de maio.
É bom lembrar que o casamento homoafetivo nos cartórios do Rio de Janeiro estão autorizados. No Dia Mundial de Combate à Homofobia – 17 de maio, o Desembargador Valmir de Oliveira Silva, Corregedor-Geral da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, publicou com data retroativa a 16 de maio de 2013, através do aviso da CGJ nº 632/2013, que os cartórios do Estado do Rio de Janeiro cumpram a decisão do Conselho Nacional de Justiça e realizem o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Dessa forma, não haverá mais a necessidade de enviar os pedidos para a avaliação do juiz. O desembargador já havia, em abril de 2013, aprovado a habilitação direta para o casamento civil homoafetivo no Estado, mas, na prática, a decisão ainda dependeria do juiz de cada comarca.
Agora o aviso altera o procedimento. O primeiro artigo do aviso da CGJ 632/2013 diz que "os processos de habilitação de casamento entre pessoas do mesmo sexo deverão observar o disposto no artigo 1526 e parágrafo único do Código Civil, sendo vedado aos senhores titulares, delegatários, responsáveis pelo expediente e interventores dos serviços extrajudiciais com atribuição de registro civil de pessoas naturais impugnar o pedido com único fundamento da identidade de sexo."
Então, na prática, já esta permitido o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Escandalize-se, mas eu acho ótimo.
Ótimo pois judicialmente falando os casais homoafetivos vão poder deixar seus bens para seus companheiros, ao invés de deixar com as famílias que, na maioria dos casos, rejeitaram essas pessoas por sua opção sexual ou identidade de gênero, mas aceitavam de bom grado seus bens em caso de falecimento, ficando os companheiros(as) sem direito a nada. Isso agora acabou...
Mas não se engane, continuo sendo contra a aprovação da PL 122/06.
Em recente atualização o senador Paulo Paim, acrescentou o seguinte texto no artigo 3° do projeto de lei:
"Art. 3º Constituem crimes de intolerância, quando praticado em razão de discriminação ou preconceito pela orientação sexual, identidade de gênero, idade, deficiência ou por outro motivo assemelhado, indicativo de ódio ou intolerância:
V – impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade, identidade de gênero ou orientação sexual em espaços públicos ou privados de uso coletivo, exceto em templos de qualquer culto, quando estas expressões e manifestações sejam permitidas às demais pessoas"
Leia Mais Em: http://www.plc122.com.br/plc122-paim/#ixzz2UE8mNQBn
O texto acima foi colocado recentemente por causa da pressão da bancada cristã (católica, evangélica e agregados) no senado. Pois, caso contrário, se a PL 122/06 realmente tivesse virado lei, antes desse acréscimo, um casal do mesmo sexo poderia querer se casar em uma igreja católica, por exemplo, e se o padre se recusa-se seria preso, com reclusão de um(01) a seis (06) anos. E isso quase aconteceu... A PL 122 quase vira lei, se essa revisão de texto...
As revisões ainda estão sendo feitas, mas o texto ainda força a sociedade a aceitar um padrão distinto.
As pessoas muitas vezes fazem confusão entre identidade de gênero e orientação sexual. A identidade de gênero, por sua vez, costuma ser menos compreendida. Ao passo que a orientação sexual se refere a outros, a quem nos relacionamos, a identidade de gênero faz referência a como nos reconhecemos dentro dos padrões de gênero estabelecidos socialmente.
Acredito que cada um tenha a escolha de ficar com quem quiser. E concordo que com as novas configurações familiares a família nuclear (pai/homem/ arrimo de família, mãe/mulher e filhos) tem sido sublimada, mas não aniquilada.
Cada um tem o direito de ser feliz da forma que quiser. Do meu ponto de vista, a questão não é de "certo ou errado" mas de "aceitar ou não ser aceito". Por lei os direitos dos homoafetivos já estão assegurados, a questão agora é de aceitar o modo de vida que estabeleceram como certo, culturalmente falando.
Odeio qualquer forma de preconceito e discriminação, seja de qual tipo for. Mas também não gosto de imposições. Cada um vive da forma que quiser, mas forçar que outros aceitem, não concordo.
A religião há muito tempo perdeu seu sentido etimológico de "religare", que significa "ligar a Deus". Vejo as religiões hoje como grilhões, que prendem os fiéis a liturgias e praticas de usos e costumes... E sim, coloco a religião evangélica no meio.
Quando me perguntam qual é a minha religião,se não tenho tempo para uma explanação mais ampla, simplesmente falo que sou cristão.
Um dos cernes das discussões de gênero no mundo, indubitavelmente, perpassa pela questão religiosa. Já falei disso em outros artigos aqui mesmo nesse blog e recomendo que possam ser lidos nos links abaixo:
Homossexualidade e intolerância
Polêmica: gay é o novo negro
Se algo é natural não precisa ser "aceito", e mesmo que seja "aceito" não significa que seja natural.
Nossa sociedade muda constantemente, mas acredito em certos valores como: amor, respeito e diálogo. Valores que tem se perdido tanto de um lado quanto de outro nessa questão chamada homoafetividade.
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
*STF reescreve Constituição

*Texto de William Douglas (Juiz Federal)
A decisão do STF, de ser comemorada e criticada, é apenas mais um round na luta irracional que se desenvolve entre religiosos e o movimento gay. O STF acertou na decisão, mas errou em sua abordagem. Ao invés de interpretar a Constituição, ousou reescrevê-la sem legitimidade para tanto. Mas, que razões levaram a Corte Suprema a isso? A imperdoável incapacidade dos contendores de agir de forma tolerante, democrática e respeitosa. A terrível
intenção, de ambos os lados, de forçar o outro a seguir seus postulados, em atentado contra a liberdade de escolha, opinião e crença.
Quem ler os relatos contidos em anais da constituinte verá que incluir o casamento gay na Constituição foi assunto derrotado nas votações. O STF mudar esse conceito e ignorar a decisão do constituinte originário é ativismo judicial da pior espécie, mas o STF tem suas razões: os religiosos, ao invés de negociar uma solução, se negam a mexer na Constituição.
O erro da intolerância, o movimento gay também comete ao tentar impor um novo conceito de casamento ao invés da aceitação da união civil estável homoafetiva, e mais ainda, ao defender um projeto de lei contra homofobia que desrespeita a liberdade de opinião e religiosa (PLC 122). Isso para não falar do "kit gay", uma apologia ofensiva e inaceitável para grande parcela da população. Não há santos aqui, só pecadores. Em ambos os lados.
Erram os religiosos ao querer impedir a união civil homossexual, calcando-se em suas crenças, as quais, evidentemente, não podem ser impostas à força. Mas erra também o movimento gay em querer enfiar goela abaixo da sociedade seus postulados particulares. Vivemos uma era de homofobia e teofobia, uma época de grupos discutindo não a liberdade, mas quem terá o privilégio de exercer a tirania.
Negar o direito dos gays é tirania dos religiosos. De modo idêntico, impor sua opinião aos religiosos, ou calá-los, ou segregá-los nas igrejas como se fossem guetos é tirania do movimento gay. Nesse diálogo de surdos, o STF foi forçado a decidir em face da incompetência do Congresso, dos religiosos e do movimento gay, pela incapacidade de se respeitar o direito alheio.
Anotemos os fatos. O STF existe para interpretar a Constituição, não para reescrevê-la. Onze pessoas, mesmo as mais sábias, não têm legitimidade para decidir em lugar dos representantes de 195 milhões de brasileiros. Os conceitos "redefinidos" pelo STF são uma violência contra a maioria da população. Nesse passo, basta ler o artigo Ulisses e o canto das sereias: sobre ativismos judiciais e os perigos da instauração de um terceiro turno da
constituinte, de Lênio Luiz Streck, Vicente de Paulo Barreto e Rafael Tomaz de Oliveira, disponível em meu blog (http://blogwilliamdouglas.blogspot.com/2011/05/ulisses-e-o-canto-das-sereias.html). O resumo: apenas Emenda à Constituição pode mudar esse tipo de entendimento. O problema: a maioria se recusa a discutir uma solução contemporizadora que respeite e englobe a todos.
O Supremo agiu bem em alertar sobre a incapacidade das partes de resolverem seus problemas no Congresso, mas errou em, ao invés de se limitar a assegurar direitos de casais discriminados, invadir o texto da Constituição para mudá-lo manu militari.
O STF não se limitou a garantir a extensão de direitos, mas quis reescrever a Constituição e modificar conceitos, invadindo atribuições do Poder Legislativo. Conceder aos casais homossexuais direitos análogos aos decorrentes da união estável é uma coisa, mas outra coisa é mudar conceito de termos consolidados, bem como inserir palavras na Constituição, o que pode parecer um detalhe aos olhos destreinados, mas é extremamente grave e sério em face do
respeito à nossa Carta Magna. “Casamento” e “união civil” não são mera questão de semântica, mas de princípios. Nem por boas razões o STF pode ignorar os princípios da maioria da população e inovar sem respaldo constitucional.
Enfrentar discriminações é louvável, mas agir com virulência contra os conceitos tradicionais, e, portanto, contra o Congresso e a maioria da população, diminui a segurança jurídica diante da legislação. A tradição existe por algum motivo e não deve ser mudada pelo voto de um pequeno grupo, mas pela consulta ao grande público ou através de seus representantes, eleitos para isso.
O art. 1.726 do Código Civil diz que uma união estável pode ser convertida em casamento mediante requerimento ao juiz. Ora, pelo que o STF decidiu, foi imposto, judicialmente, o casamento gay. Até os ativistas gays, os moderados, claro, consignam o cuidado de não se chamar de casamento a união civil.
Os ativistas não moderados, por sua vez, queriam exatamente isso: enfiar goela abaixo da maioria uma redefinição do conceito de casamento. Não se pode, nem se deve, impedir que um casal homossexual viva junto e tenha os direitos que um casal heterossexual tem, mas também não se pode impor um novo conceito que a maioria recusa.
Abriu-se, em uma decisão com intenção meritória, o precedente de o STF poder substituir totalmente o Congresso.
Salvo expressa determinação da Constituição para que o faça, quando o Congresso não legisla sobre um tema, isso significa que ele não quer fazê-lo, pois se quisesse o teria feito. Há um período de negociação, existem trâmites, existem protocolos. O STF não pode simplesmente legislar em seu lugar, tomar as rédeas do processo legislativo.
Mas, que o Congresso e as maiorias façam sua mea culpa em não levar adiante a solução para esse assunto. O STF deve proteger as minorias, mas não tem legitimidade para ir além da Constituição e profanar a vontade da maioria conforme cristalizada na Constituição. O que houve está muito perto de criar, pelas mãos do STF, uma ditadura das minorias, ou uma ditadura de juízes. O STF é o último intérprete da Constituição, e não o último a
maculá-la. Ou talvez o primeiro, se não abdicar de ignorar que algumas coisas só os representantes eleitos podem fazer.
Precisamos caminhar contra a homofobia e o preconceito. E também precisamos lembrar que cresce em nosso meio uma nova modalidade de preconceito e discriminação: a teofobia, a crençafobia e a fobia contra a opinião diferente – o que já vimos historicamente que não leva a bons resultados.
O PLC 122, em sua mais nova emenda, quer deixar ao movimento gay o direito de usar a mídia para defender seus postulados, mas nega igual direito aos religiosos. Ou seja, hoje, já se defende abertamente o desrespeito ao direito de opinião, de expressão e de liberdade religiosa. Isso é uma ditadura da minoria! Isso é, simplesmente, inverter a mão do preconceito, é querer criar guetos para os religiosos católicos, protestantes, judeus e
muçulmanos (e quase todas as outras religiões que ocupam o planeta) que consideram a homossexualidade um pecado.
Sendo ou não pecado, as pessoas têm o direito de seguir suas religiões e expressar suas opiniões a respeito de suas crenças.
E se o STF entender que o direito de opinião e expressão não é bem assim? Isso já é preocupante, porque o precedente acaba de ser aberto. E se o STF quiser, assim como adentrou em atribuições do Congresso, adentrar naquilo que cada religião deve ou não professar?
O fato é que as melhores decisões podem carregar consigo o vírus das maiores truculências. Boa em reconhecer a necessidade de retirar do limbo os casais homossexuais, a decisão errou na medida. Quanto ao mérito da questão, os religiosos e ativistas moderados deveriam retomar o comando a fim de que a sociedade brasileira possa conviver em harmonia dentro de nossa diversidade.
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Não conheco o autor do texto, suas crença ou opniões quanto a outros temas e assuntos. Mas tenho que admitir, esse é um dos textos mais equilibrados que li, até o momento, sobre a PLC 122/06.
Vale registrar que a religião perdeu o seu sentido etmológico original, de "ligar a Deus", e passou a ser uma instituição de meras regras e conceitos. O Cristianismo do primeiro século nem de logem lembra as atuais "religiões cristãs", incluindo protestantismo, catolicismo, espiritismo dentre outras.
Mas, como já disse em textos anteriores, é assegurado na constiuição a liberdade de crença e culto. E vemos nesses dias essa liberdade sendo ameaçada.
No entanto é importante lembrar que o periódo em que a cristandade mais se expandiu, foi durante o periódo de maior perseguição. Tudo na vida tem um próposito e um significado, inclusive as mudanças atuais.
Pense nisso...
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