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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Dois homens se beijaram. E daí?




Em uma entrevista recente Walcyr Carrasco disse: 

"Brinco muito que o movimento LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais e travestis) busca cada vez mais a família, o casamento". Fonte:  Entrevista Walcyr Carrasco

É verdade buscam mesmo. Bom... antes de mais nada vamos esclarecer algumas coisas:

1- A novela "Amor a Vida" foi a primeira a mostrar um beijo entre pessoas do mesmo sexo na rede aberta brasileira.

MENTIRA: A extinta TV Manchete já havia feito isso na mini série "Mãe de Santo" em 1990. Confira abaixo:





Bem na verdade, se falarmos entre o beijo entre duas mulheres, em 1963 Vida Alves e Geórgia Gomide deram o primeiro beijo feminino no teleteatro "A Calunia". E quer saber? Não causou nenhuma "comoção" na sociedade da época.

Mas não é de agora que a mídia brasileira vem tratando da questão homoafetiva, veja uma linha do tempo interessante no link abaixo:


Quer saber outro fato interessante? O beijo da novela "Amor a Vida" nem foi o primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo da própria rede Globo. O Jornal nacional mostrou um beijo em 2011 (isso mesmo no Jornal) e além disso, Fábio Assunção e Vladmir Brichta, em julho de 2013, já haviam se beijado na comédia "Tapas e Beijos". 

Alguns podem estar pensando: "Esta por dentro, hêin..." (rsrs). Estou mesmo, no bom sentido da coisa (rsrs)... 

Não vejo Globo há mais de 04 anos mas, como bom discípulo de Heródoto (considerado o pai da História), fiz algumas pesquisas. 

2- Não existe homofobia no Brasil

MENTIRA: existe sim. Estou fazendo uma pesquisa para minha tese de mestrado, descobri que no Brasil a cada 28 horas acontece uma morte LGBT motivada pela homofobia ( Fonte: Brasil Post ). Isso dos casos que são denunciados, acredito que esse número pode ser bem maior...

3- Todo homossexual é do "mal" e promíscuo

MENTIRA: Existem muitos casais homoafetivos que prezam alguns princípios cristãos e tem uma relação monogâmica, alguns mais fiéis do que muitos casais héteros.    



Eu poderia ficar pontuando várias coisas aqui, mas vou parar nesses pontos. E explanar meu ponto de vista.




Já escrevi vários textos sobre a questão homoafetiva no blog, os que acho mais interessantes estão nos links abaixo:





Neles tem links para outros textos dessa mesma temática, vale a pena ler. 



Preciso afirmar uma coisa, não tenho nada contra os homossexuais/homoafetivos, mas admito meu preconceito e falo que tenho dificuldade em aceitar a homossexualidade/homoafetividade.

Mas preciso falar que, na minha humilde opinião, existem outras prioridades do que ficar comentando quem beijou quem.





O que me levou a escrever esse texto foi que, apesar de não ter visto a novela e o dito beijo em "Amor a Vida", no dia seguinte do beijo entre os personagens Felix e Niko, fiz um comentário em uma das minha redes sociais e qual foi minha surpresa ao ver um comentário de uma pessoa ao dizer que eu tinha sido o único líder eclesiástico que ela conhecia que se manifestou sobre o assunto, e estou falando de uma pessoa que conhece e acompanha muitos desses líderes, dentre eles o humilde autor dessas linhas... Fiquei perplexo...




Como disse, não tenho problema nenhum com os homoafetivos, mas tenho sim opinião contrária a seu estilo de vida e modelo familiar. Como acredito que muitas pessoas, hétero ou homossexual, tenham opiniões divergentes da minha. É preciso expor essas opiniões, entender e dialogar... Nem sempre haverá aceitação, mas acredito que é necessário que haja respeito, respeitar não é concordar...





Vivemos em um mundo novo meus nobres... Um mundo onde crianças sabem navegar na internet antes de aprenderem a amarrar seus sapatos.




Uma vez, dialogando com uma pessoa que defende os direitos do grupo LGBT me disse que: "um heterossexual nunca se assumirá homossexual". Eu discordei, e discordo veementemente.

Somos ensinados a sermos heterossexuais e hoje, você goste ou não, a sociedade esta ensinando a ser homossexual. Podemos ficar discutindo "horas" sobre a questão de identidade de gênero e orientação sexual, mas o fato é: a sociedade mudou.

Pessoas do mesmo sexo se beijaram. E daí?

Algumas pessoas podem perguntar: "Mas você concorda com isso?". Eu respondo: "Não. Mas se é isso que as deixa feliz, que o façam. E encararem as consequências".



   

Sempre digo: "eu não tenho inimigos, os inimigos me tem", e sem trocadilhos, por favor (rsrs). Mas é uma verdade.

Um exemplo, Jesus Cristo veio a essa Terra e única coisa que fez foi fazer bem aos outros, e ainda assim muitos não gostaram dele a ponto de o matar. Cristo nunca teve medo de expor suas opiniões, mesmo aquelas que contradiziam a sociedade vigente, Ele sempre dialogou com todos, concordou com poucos, influenciou a muitos para a mudança e seguiu convicto com seus princípios. Gosto desse exemplo, e procuro segui-Lo.



Não abra mão de seus princípios e convicções, se você achar necessário mudar, mude, e solidifique-se novamente.

Gosto muito de um conto medieval, cuja autoria não conheço e descrevo a seguir:

O Monge e Cavaleiro

Andavam por um caminho um monge e um cavaleiro, os dois viajam juntos enquanto a chuva lhes escorria pelas faces.

Enfadado da longa viajem, e a fim de passar o tempo, o cavaleiro quebra o silêncio e fala: "Você leva uma vida de pobreza, sem jamais conhecer o toque de uma mulher, privando-se de todas as formas de deleite... Tudo por que acredita que exista um Deus. Eu não partilho de sua fé. Por isso, faço tudo o que bem quero e quando quero, tirando proveito de qualquer oportunidade. Desrespeitei todas as leis criadas pelos homens e seu Deus, através da igreja, e não temo as consequências. Eu não acredito no seu Deus.

Minha pergunta, no entanto, é a seguinte... E se a vida terminar no solo? E se o homem não for nada mais do que carne para os vermes?

Você terá passado a sua vida inteira se privando por nada. E se você morrer e descobrir que Deus não existe?"

O monge pensou a respeito e deu de ombros respondendo: "Nesse caso, suponho, vou ficar triste. Mas diga-me senhor... O que acontecerá se você morrer e descobrir que Ele existe?"  


Acredito que é por aí...

Que cada um viva a sua vida, e as consequências dela.










terça-feira, 31 de dezembro de 2013

PLC 122 - O fim de um novo começo




2013 foi um ano interessante para os homoafetivos, seus simpatizantes e opositores.

Escrevi sobre isso em alguns artigos esse ano, se quiser ler, ou reler, é só clicar nos links abaixo:

Direitos iguais ou iguais direitos

Cura gay - como curar o que não é doença?


Mas em dezembro aconteceu um fato curioso...

Ironicamente, no dia 17 de dezembro foi aprovado o apesamento da Projeto de Lei Constitucional 122 para a reforma do código penal. Digo ironicamente, pois, no dia 17 de maio deste ano foi aprovado o reconhecimento do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. É muita "coincidência" que precisos 7 meses depois aconteça esse fato com a PLC 122.

Não quero aqui chover no molhado... Se quiser saber mais da minha opinião sobre o  casamento civil entre pessoas do mesmo sexo leia o texto "Direitos iguais ou iguais direitos acima", você vai se supreender...

Apesar das manifestações "educadas" do nobre deputado Jean Wyllys, que, é claro, após a repercussão negativade seus comentários ele os retirou das suas redes sociais...


 

A PLC 122, foi sepultada. Será?

Em outra rede social o nobre deputado afirmou de forma categórica:




A questão agora é jurídica, onde acredito que é seu lugar.

Em duas cidades da minha região aconteceram pela primeira vez a Marcha LGBT, em Barra Mansa e Volta Redonda. É curioso pensar que após esse fato houve essa reviravolta toda. Não acredito em coincidências, mas deixo a conclusão para você, nobre leitor dessas linhas.

Sou totalmente contra a violência aos homoafetivos, e qualquer pessoa (se é que posso chama-los assim) que agrida de forma verbal ou fisica alguém em pleno século XXI por causa de identidade de gênero e/ou orientação sexual deve sim sentir os rigores da lei.

 

Você sabia, por exemplo, que 44% dos crimes de homofobia denunciados no mundo ocorreram no Brasil ano passado? A homofobia existe, e ela mata. Veja no link abaixo:

Homofobia mata

Por isso digo que os rigores da lei precisam ser aplicados nesse caso.

Odeio todo e qualquer tipo de discriminação e preconceito. Seja ele de gênero, identidade, religião ou étinia.

Mas veja, existe preconceito e discriminação dos dois lados.



Existem idiotas religiosos, como existes ativistas gays idiotas. Assim como existem bons cristãos, e bons defensores dos direitos humanos.

Sempre digo que falta mais respeito em nossa sociedade atual.

A palavra respeito vem do latim "respectus", que significa atenção ou consideração. Gosto deste significado mais do que o atual significado dado pela língua portuguesa.

O dia que aprendermos a dar atenção ou consideração a alguém, mesmo que tenhamos discordâncias, seremos melhores.









quarta-feira, 19 de junho de 2013

Cura Gay? Como curar o que não é doença.



Muito se tem falado sobre o projeto apelidado pela mídia de "cura gay"....

Que fique claro, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1990, retirou o termo "homossexualidade" do rol de doenças ou transtornos. Esse é um dos argumentos usados por parlamentares que são contra o projeto, que foi apresentado há dois anos e que chegou a ter a votação adiada cinco vezes na Comissão de Direitos Humanos.

Mas, como disse o filósofo, "vamos raciocinar juntos"....

O projeto aprovado em primeira estância(ainda falta uma), na prática, permite que psicólogos proponham tratamento da "homossexualidade, derrubando assim, normas do Conselho Federal de Psicologia, que proíbem que profissionais tratem a homossexualidade como doença.

Como aprendi como minha professora Rache Soihet, um dos maiores nome do Brasil na questão de gênero e história das mulheres, a grande questão hoje é sobre identidade de gênero e orientação sexual. A identidade de gênero, por sua vez, costuma ser menos compreendida. Ao passo que a orientação sexual se refere a outros, a quem nos relacionamos, a identidade de gênero faz referência a como nos reconhecemos dentro dos padrões de gênero estabelecidos socialmente. 



 Em um de seus livros ela afirma "(...), tornou-se nítido que há que se empenhar pela equiparação em termos de classe, gênero, raça e etnia, geração etc. como ideal a ser atingido em uma sociedade, sem o que a
igualdade é uma falácia". (Revista de História,3,1, 2011). Assim, como héteros tem o direito de assumirem homoafetivos, porque negar o direito de homoafetivos de se assumirem héteros, se assim o quiserem? E negar a eles ferramentas para isso? A questão não é "ser doença ou não", pois já sabemos que não é, mas de identidade e gênero. E isso é um direito de via de mão dupla.




Antes que me perguntem, não sou a favor dos argumentos utilizados por Marco Feliciano, Bolsonaro, Anderson Ferreira e do deputado João Campos, autor do projeto e que, alias, este último, é a favor da redução da maioridade penal.


 


Acredito que a intolerância deva ser combatida em todas as suas formas, pois esta faltando respeito e diálogo no que tange as questões da homoafetividade e religião na nossa sociedade . E antes que façam determinações já digo, não sou a favor da prática homoafetiva/homossexual, mas respeito que segue essa orientação e/ou assuma essa identidade. Até mesmo porque, não precisam de minha aprovação/desaprovação para isso.

Volto a afirmar, assim, como héteros tem o direito de se assumirem homoafetivos, porque negar o direito de homoafetivos de se assumirem héteros, se assim o quiserem? E negar a eles ferramentas para isso? A questão não é "ser doença ou não", pois já sabemos que não é, mas de identidade e gênero. E isso é um direito de via de mão dupla.
  
A homossexualidade não é uma doença e, portanto, não é contagiosa. O nosso preconceito sim, esse é contagioso e destrói. 

 Escrevo mais sobre a questão homoafetiva nos links abaixo:

Direitos iguais ou iguais direitos

Homossexualidade e intolerância


Polêmica: gay é o novo negro











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